O grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23) anunciou a sua decisão de retirar da cidade de Uvira, no leste da República Democrática do Congo (RDCongo), onde havia tomado o controlo na semana passada, a pedido das autoridades dos Estados Unidos.
Corneille Nangaa, coordenador da Aliança do Rio Congo/Movimento 23 de Março (AFC/M23), uma coligação liderada pelo M23, afirmou que esta ação representa “uma medida unilateral de promoção da confiança” com o objectivo de proporcionar ao processo de paz em Doha a melhor oportunidade de alcançar soluções duradouras para o conflito.
Nangaa sublinhou que a AFC/M23 irá retirar unilateralmente as suas forças da cidade de Uvira, enfatizando que o pedido foi feito em virtude da mediação dos Estados Unidos. Ele também fez um apelo aos garantes do processo de paz para implementarem medidas adequadas para a gestão da cidade, que incluem a desmilitarização, a protecção da população e das infraestruturas, bem como a fiscalização do cessar-fogo através do destacamento de uma força neutral.
O coordenador expressou preocupações baseadas em “experiências passadas”, onde as Forças Armadas da RDCongo (FARDC) e as milícias aliadas Wazalendo tentaram aproveitar as medidas de promoção da confiança do M23 para recuperar territórios perdidos e atacar a população considerada simpatizante da Aliança.
A declaração surge após o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter alertado que “as ações do Ruanda” no leste da RDCongo configuram uma “clara violação dos Acordos de Washington”, afirmando que os Estados Unidos “tomarão medidas para garantir que sejam cumpridas as promessas feitas ao Presidente”.
Uvira, situada nas margens do lago Tanganica e na fronteira com o Burundi, foi ocupada na passada quarta-feira pelo M23, que é considerado um poderoso grupo rebelde apoiado pelo Ruanda, segundo a ONU e vários países ocidentais. A cidade desempenhou um papel central como sede do governo designado por Kinshasa em Kivu do Sul, especialmente após a queda de Bukavu em Fevereiro.
Esta ofensiva rebelde ocorre apesar de um acordo de paz assinado em 04 de novembro entre o Presidente congolês, Félix Tshisekedi, e o homólogo ruandês, Paul Kagame, na presença do ex-Presidente Donald Trump. Desde então, ambos os países têm-se acusado mutuamente de violar o acordo.
Desde a assinatura do acordo de Washington, esforços de mediação patrocinados pelo Qatar têm sido feitos entre o Governo congolês e o M23, que firmaram um acordo-quadro em Doha a 15 de novembro para avançar rumo ao fim do conflito.
A escalada da violência resultou na deslocação de cerca de 500 mil pessoas, incluindo mais de 100 mil crianças, desde 01 de dezembro, conforme relatado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no último domingo.
















