O comandante supremo do Exército do Sudão, Abdel Fattah al-Burhan, declarou que rejeita qualquer solução para o conflito em curso no Sudão que não inclua o desmantelamento e desarmamento do grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF).
Em um comunicado divulgado pelo gabinete de imprensa do Conselho Soberano do Sudão, al-Burhan afirmou que “qualquer iniciativa que não inclua o desmantelamento e o desarmamento da milícia rebelde terrorista é completamente inaceitável”, reiterando que essa é “uma firme convicção”.
As declarações de al-Burhan surgem em meio a negociações para uma trégua humanitária mediada pelos Estados Unidos. Na semana passada, os paramilitares anunciaram um cessar-fogo unilateral, que, no entanto, não se consolidou e não conseguiu pôr fim à onda de violência.
Durante uma cerimónia em memória dos mártires do exército sudanês, al-Burhan destacou que “as opções e soluções têm sido limitadas devido à magnitude do derramamento de sangue, dos mártires e do sofrimento em vastas áreas do Sudão, especialmente no Darfur e em Al-Fashir”. Para o líder militar, “só há uma solução: a eliminação da milícia”, referindo-se às Forças de Apoio Rápido (RSF), e prometeu levar à justiça os responsáveis por crimes cometidos.
Al-Burhan também fez um apelo a “todos aqueles que desejam pegar em armas para combater a milícia”, uma convocação que tem reiterado ao longo dos mais de dois anos e meio de conflito, criando alianças entre as Forças Armadas e grupos rebeldes locais. Ele elogiou o governador do Darfur, Arko Minawi, por seu “compromisso em pôr fim ao conflito” e expressou “a sua profunda gratidão a todas as forças unidas e de apoio”.
Este anúncio ocorreu pouco após Minawi, também líder rebelde aliado do Exército na luta contra as RSF, emitir um decreto que estabelecia o Comité Superior para a Mobilização Popular e Resistência no Darfur. O governador ordenou às autoridades que tomassem todas as medidas necessárias para implementar a decisão rapidamente, incluindo a abertura de campos de treino e o recrutamento de cidadãos do Darfur aptos a portar armas.
A nova formação visa unificar os esforços populares e militares sob um único comando, reforçando as capacidades de defesa da região contra as violações e a expansão militar das RSF.
Enquanto isso, intensos combates continuam na região central do Cordofão, com ambos os lados lutando pelo controle, após as RSF terem assumido total domínio da vasta região ocidental do Darfur sobre o Exército, no final de outubro, e lançado novas ofensivas para conquistar mais território.
















