O presidente deposto da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, expressou, numa entrevista ao canal Africa TV, o seu descontentamento em relação ao que considera um comportamento hostil por parte de Portugal.
Em suas declarações, Embaló revelou que essa hostilidade se intensifica sempre que o presidente do país é muçulmano, afirmando que “60% da população” guineense pertence a esta religião.
A entrevista ocorreu após a destituição de Embaló por um grupo de militares, que anunciou ter tomado o poder na quarta-feira, interrompendo temporariamente o processo eleitoral agendado para o próximo mês de Novembro. Os militares justificaram a sua ação como uma medida necessária para salvaguardar a democracia e a estabilidade política da Guiné-Bissau, assinalando a presença de uma “ameaça crescente” à ordem pública e à integridade das instituições democráticas.
Apesar das críticas, o presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, manteve um contacto cordial com o seu homólogo guineense, indicando que Embaló estaria em boas condições de saúde e apresentando uma “reacção agradecida, positiva e simpática”.
Por outro lado, a situação no país suscitou inquietação a nível regional e internacional. A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a União Africana (UA) convocaram reuniões de emergência para discutir os recentes acontecimentos.
O ex-presidente moçambicano Filipe Nyusi, que se encontra na Guiné-Bissau como representante da UA, descreveu o ambiente como calmo, mas com uma “timidez” perceptível na movimentação da população.
A União Europeia também se manifestou, expressando preocupação com os desenvolvimentos no país e apelando por um regresso à ordem constitucional, bem como pela contenção para evitar qualquer escalada de violência. Este é já o décimo golpe de Estado registado no continente africano desde 2020, com diversas nações a enfrentarem instabilidades políticas nas últimas anos.
















