Uma vidente italiana, Gisella Cardia, e o seu marido, Gianni Cardia, estão prestes a ser julgados por fraude agravada, após serem acusados de enganarem centenas de peregrinos com falsas aparições da Virgem Maria e uma estátua que, supostamente, chorava lágrimas de sangue.
A farsa foi desmascarada após testes de ADN revelarem que o sangue que escorria da estátua pertencia à própria vidente.
O fenómeno, que atraiu romarias mensais ao local, ocorreu nas imediações do Lago Bracciano, em Itália. Gisella Cardia, uma ex-empresária siciliana com cerca de 50 anos, já tinha um passado criminal, tendo sido condenada em 2013 por falência fraudulenta. O julgamento está agendado para abril do próximo ano.
De acordo com a advogada de Gisella, a vidente recebeu a decisão de ir a julgamento de forma tranquila, considerando-a um passo necessário para esclarecer as acusações. A defesa afirma que a acusada está serena e confiante na justiça, esperando que o processo ponha fim a interpretações e polémicas injustas.
O decreto da acusação, assinado pelo procurador Alberto Liguori, descreve a conduta do casal como um plano criminoso destinado a obter lucro ilícito através de donativos de fiéis e a aumentar a sua visibilidade mediática. Para isso, utilizaram artifícios e enganos, criando falsas aparições e outros fenómenos “sobrenaturais”, como lágrimas em estátuas e mensagens em aramaico, a língua falada por Jesus.
Gisella e Gianni Cardia transformaram a sua residência e um terreno em Trevignano Romano num local de culto, alegando a ocorrência de desastres futuros como forma de incentivar os seguidores a fazerem donativos.
Segundo o Ministério Público, o dinheiro arrecadado através da associação “Madonna de Trevignano” foi usado para fins pessoais e para a realização de obras no local de culto, incluindo a compra de terrenos, construção de infraestruturas e a aquisição de uma viatura Mercedes, avaliada em cerca de 38 mil euros.















