Internacional SADC classifica eleições na Tanzânia como fraudulentas

SADC classifica eleições na Tanzânia como fraudulentas

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) emitiu um relatório preliminar que considera as recentes eleições na Tanzânia, onde Samia Suluhu Hassan tomou posse como Presidente, como não democráticas e fraudulentas. 

O documento, que resulta da missão de observação enviada pela SADC, aponta para diversas denúncias de fraude eleitoral, violência e repressão durante o processo eleitoral.

Este é um marco na história da SADC, uma vez que é a primeira vez que a organização conclui que as eleições em um dos seus países membros não respeitaram a vontade popular nem os princípios democráticos estabelecidos. A cerimónia de posse de Hassan foi marcada pela fraca presença internacional, com apenas dois dos 16 Estados membros da SADC a estarem representados, o que equivale a apenas 12,5% da comunidade, sem a presença de nações influentes como África do Sul, Angola ou República Democrática do Congo.

A missão de observação da SADC, composta por 80 observadores de 10 países, monitorizou as eleições em 27 das 31 regiões da Tanzânia a convite do governo do país. O relatório destaca que alguns observadores enfrentaram dificuldades para obter informações e relataram ter sido alvo de interrogatórios intimidatórios por parte das Forças de Defesa e Segurança.

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Os observadores, que possuíam identificação de acreditação, foram submetidos a interrogatórios agressivos na cidade de Tanga, onde os seus documentos oficiais, incluindo passaportes, foram temporariamente apreendidos. Também foram forçados a apagar fotografias relacionadas com a missão em seus dispositivos.

Embora o período pré-eleitoral tenha sido classificado como calmo, especialistas alertaram para um clima de intimidação secreta contra a população, partidos políticos e candidatos da oposição. Casos de raptos de activistas políticos foram reportados, evidenciando uma atmosfera política tensa e ameaçadora.

O relatório menciona ainda a prisão e julgamento por traição de Tundo Lissu, candidato do partido Chadema, e Luhanga Mpina, que foi desqualificado de participar no escrutínio. Estas acções foram vistas como uma tentativa de desestabilizar o sistema multipartidário e eliminar a concorrência legítima.

Além disso, a SADC identificou disposições na Constituição tanzaniana que contrariam as normas eleitorais acordadas entre os países da região, evidenciando a necessidade de reformas significativas no processo eleitoral da Tanzânia.

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