O Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau confirmou a detenção de vários militares envolvidos numa alegada tentativa de golpe de Estado, a menos de um mês das eleições presidenciais.
O incidente, que envolve generais e oficiais de alta patente do Exército, levanta preocupações sobre a estabilidade política do país.
O chefe da Divisão Central de Recursos Humanos e Pessoal, Fernando Gomes da Silva, afirmou que “este lamentável episódio, no qual estão envolvidos alguns generais e oficiais de alta patente das nossas Forças Armadas, põe em risco a paz e a estabilidade tão desejadas para o desenvolvimento socioeconómico e a captação de investimento estrangeiro”.
Durante uma conferência de imprensa, o porta-voz militar apresentou gravações que, segundo a sua declaração, evidenciam a tentativa de golpe, considerando-a como “acontecimentos reais e inaceitáveis”. A investigação continua em curso, com a finalidade de identificar todos os implicados e levá-los à justiça.
O Estado-Maior sublinhou a sua determinação em assegurar que não ocorram “distúrbios ou desordem” durante o processo eleitoral, prometendo implementar medidas de segurança robustas para garantir a normalidade das eleições. “As Forças de Defesa e Segurança advertem que não permitirão qualquer interferência de indivíduos ou grupos, através de acções de manipulação psicológica, redes sociais ou outros meios de comunicação, com o objectivo de desestabilizar ou desacreditar a liderança militar”, refere o comunicado oficial.
Entre os detidos encontra-se o Brigadeiro-General Dabana Na Walna, que, segundo as autoridades, teria solicitado armas, veículos e coletes à prova de bala, utilizando a sua posição de instrutor num centro de formação para apoiar o alegado plano de golpe, que teria como liderança o Presidente Umaro Sissoco Embaló.
Um dia antes das detenções, Simões Pereira, principal opositor do actual Presidente, assegurou que não tinha intenções de derrubar a ordem constitucional. “Os meus colegas e eu, aqueles que me acompanham, comprometemo-nos desde o início das nossas carreiras a utilizar apenas mecanismos democráticos, porque o partido político é o único instrumento que temos à nossa disposição”, afirmou em conferência de imprensa.
Umaro Sissoco Embaló assumiu a presidência em 27 de Fevereiro de 2020, após vencer a segunda volta das eleições contra Simões Pereira, que foi apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), partido que governou o país desde a sua independência de Portugal em 1974.
















