A Guiné-Bissau prepara-se para realizar, no próximo dia 23 de Novembro, as primeiras eleições que serão totalmente financiadas pelo país, sem qualquer apoio externo.
Este processo abrange todos os aspectos, desde a elaboração dos cadernos eleitorais até à impressão dos boletins de voto, conforme anunciado pelo Governo guineense.
O orçamento destinado a este ato eleitoral é de aproximadamente três mil milhões de francos CFA, o que corresponde a mais de 4,5 milhões de euros, segundo informações divulgadas pela agência de notícias ANG.
O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, já havia sinalizado, no início de 2025, a importância deste financiamento interno, considerando-o uma “questão de soberania”. Para tal, foi criado um fundo da democracia com este propósito.
Em declarações anteriores, o chefe de Estado enfatizou que a comunidade internacional poderia acompanhar o processo eleitoral previsto para domingo, referindo-se à possibilidade de enviá-los como observadores nas eleições presidenciais e legislativas que terão lugar em simultâneo.
As eleições legislativas de 2023 tinham um orçamento estimado em cerca de 12 milhões de euros, com o Governo a anunciar que 70% desse valor seria assegurado pelo Estado guineense. Anteriormente, a quase totalidade dos custos eleitorais era coberta pela comunidade internacional.
Em Março de 2023, o Governo guineense estabeleceu um acordo com as Nações Unidas, por meio do Programa das Nações Unidas de Apoio ao Desenvolvimento (PNUD), que previa um apoio financeiro de 5,3 milhões de euros para o Projecto de Apoio aos Ciclos Eleitorais, entre 2023 e 2025. Este projecto visa reforçar as instituições, assim como promover a educação cívica e os valores democráticos.
As eleições de 2023 contaram com a participação de missões de observação da União Africana, chefiada pelo ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP), liderada pela Comissão Nacional de Eleições de Portugal. A União Europeia também prestou apoio à Célula de Monitorização Eleitoral, em parceria com o PNUD, envolvendo diversas organizações da sociedade civil guineense.
















