A África do Sul deu um passo significativo na luta contra a cólera ao anunciar o início de ensaios clínicos para a produção da primeira vacina oral contra esta doença.
Este projecto representa um marco histórico, sendo a primeira vacina totalmente fabricada no país, desenvolvida pela Biovac, uma empresa biofarmacêutica local, em colaboração com o Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul.
O lançamento do projecto ocorreu no Hospital Chris Hani Baragwanath, situado em Soweto. Durante a apresentação, o ministro da Saúde sul-africano, Aron Motsoaledi, destacou que os ensaios clínicos estão em conformidade com a visão do Governo de garantir segurança sanitária e acesso universal a medicamentos essenciais. “É uma oportunidade significativa para a África do Sul reduzir a dependência de produtos farmacêuticos internacionais”, afirmou Motsoaledi.
A vice-ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Nomalungelo Gina, também marcou presença no evento, ressaltando o compromisso governamental em promover a produção local e facilitar a transferência de tecnologia. Gina acrescentou que esses esforços são cruciais não apenas para a saúde pública, mas também para a geração de empregos, desenvolvimento de habilidades e crescimento industrial.
Caso os testes se revelem bem-sucedidos, a vacina contra a cólera poderá ser aprovada e estar disponível para uso no continente africano em 2028, com uma possível comercialização global no ano seguinte. Neste momento, menos de um por cento das vacinas do mundo são produzidas em África, apesar de o continente ser o mais afectado por doenças infecciosas, responsáveis por uma elevada taxa de mortalidade, especialmente entre crianças com menos de cinco anos.
A cólera figura entre os cinco principais surtos que afectam a África, tendo, somente neste ano, causado cerca de sete mil mortes em quase trezentos mil casos suspeitos. A África do Sul e o Senegal são os únicos países do continente com a capacidade de produzir vacinas desde o início até ao fim do processo.
















