Capa Aumento de conflitos homem-fauna bravia em Moçambique atinge níveis alarmantes

Aumento de conflitos homem-fauna bravia em Moçambique atinge níveis alarmantes

O fenómeno dos conflitos entre humanos e fauna bravia em Moçambique tem vindo a intensificar-se de forma preocupante. 

De acordo com dados da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), foram reportados 1.498 casos em 2024, um aumento significativo de 700 incidentes em comparação com o ano anterior.

As províncias de Gaza, Tete e Manica estão a ser particularmente afectadas, registando uma elevada incidência de casos de conflitos que levantam preocupações sobre a segurança e a convivência entre a população local e a vida selvagem.

O director-geral da ANAC, Pejul Calenga, sublinhou durante as comemorações do Dia Mundial da Vida Selvagem que “infelizmente, os números estão a aumentar. Além do aumento das incidências, também observamos um crescimento no número de vítimas mortais causadas por animais bravios”.

Calenga também destacou que a falta de técnicas adequadas para o afugentamento da fauna bravia tem contribuído para estas situações, levando a um aumento no número de ataques. “As tentativas de afastar os animais sem os métodos correctos têm resultado em tragédias”, afirmou.

O responsável da ANAC referiu ainda que, ao longo dos últimos anos, a preservação da natureza enfrentou desafios substanciais. Enquanto que há uma década a fiscalização das actividades de exploração ilegal dos recursos naturais era o principal problema, actualmente a prioridade é garantir que os benefícios da conservação sejam repartidos com as comunidades locais.

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“É imperativo que o nosso património natural se traduza em riqueza para os actores locais que dependem destes recursos para a sua sobrevivência”, disse. Neste contexto, a ANAC procura aumentar a sua capacidade de alocação de benefícios, aspirando a atingir 30% de retorno para as comunidades.

Calenga reconheceu que existem fragilidades na gestão das áreas de conservação, mas afirmou que a continuidade de esforços é crucial para que estas áreas possam, efectivamente, gerar renda e contribuir para o Produto Interno Bruto (PIB) do país. “Temos de promover oportunidades de crescimento económico, começando a nível das comunidades e envolvendo o sector privado”, acrescentou.

Por fim, o director-geral da ANAC também fez menção a conquistas significativas na conservação da biodiversidade, como a reintrodução da população de rinocerontes em Moçambique. “Agora, temos os ‘Big Five’, os cinco maiores animais emblemáticos de África, no Parque do Zinave, o que simboliza um sucesso na conservação e reabilitação dos ecossistemas”, concluiu.

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