Destaque Justiça sul-africana retoma julgamento de Jacob Zuma por corrupção

Justiça sul-africana retoma julgamento de Jacob Zuma por corrupção

O julgamento do ex-Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, num caso de alegada corrupção relacionado com a aquisição de armamento há mais de 20 anos, será retomado hoje, conforme anunciado pelas autoridades judiciais sul-africanas.

“A sessão entre o Estado, Jacob Zuma e a empresa Thales África do Sul está agendada para ser retomada, na divisão de KwaZulu-Natal do Tribunal Superior, em Pietermaritzburg”, informou a instituição judicial na passada terça-feira.

Jacob Zuma, que foi Presidente da África do Sul e líder do Congresso Nacional Africano (ANC), partido que governa o país desde o fim do apartheid em 1994, está a ser julgado por alegados subornos e corrupção pública no contexto da compra de armamento em 1999, durante a fase pós-apartheid.

O processo judicial iniciou em Maio de 2021, após vários anos de adiamentos, resultado de múltiplos recursos interpostos por Zuma e adiamentos obtidos pelos seus advogados, que alegaram motivos de saúde como justificativa para os atrasos.

Além disso, Jacob Zuma, de 81 anos, que exerceu o cargo de Presidente entre 2009 e 2018, moveu vários processos contra o principal procurador do seu julgamento, Billy Downer, acusando-o de parcialidade e de vazar informações para a imprensa, na tentativa de afastá-lo do caso.

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As acusações que Zuma enfrenta incluem fraude, corrupção, lavagem de dinheiro e extorsão, relacionadas com a compra de equipamento militar a cinco empresas europeias de armamento, num período em que ocupava o cargo de vice-presidente, sob a liderança de Thabo Mbeki.

A empresa francesa de defesa, Thales, é igualmente julgada, enfrentando acusações de corrupção e branqueamento de capitais. Tanto Jacob Zuma como o grupo Thales têm negado consistentemente todas as acusações.

Um relatório que detalha a corrupção sem precedentes durante o mandato de Zuma, apelidado de “captura do Estado”, foi divulgado em 2022 por uma comissão judicial de inquérito, sublinhando o papel crucial do ex-Presidente no desvio sistemático de fundos públicos.

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