Destaque Chefe de exército do Bangladesh anuncia formação de governo interino para breve

Chefe de exército do Bangladesh anuncia formação de governo interino para breve

O chefe do exército do Bangladesh, Waker-Uz-Zaman, anunciou a formação de um governo interino após a renúncia da primeira-ministra Sheikh Hasina, que deixou o país em meio a semanas de violência nas ruas, que resultaram em centenas de mortos.

Numa declaração transmitida ao vivo pela televisão bengali, Waker-Uz-Zaman afirmou: “Será formado um governo provisório, que ficará encarregado de todas as actividades do país”. Além disso, o militar apelou ao fim da violência e garantiu que “os assassinos” e os responsáveis pelas “injustiças” cometidas contra os estudantes durante os protestos serão levados à justiça.

Zaman destacou ainda a importância da confiança da população no exército, afirmando: “Por favor, continuem a confiar no exército. Assumo toda a responsabilidade por salvar vidas e proteger as propriedades”.

A declaração oficial veio momentos após a agência noticiosa local Prothom Alo relatar que Sheikh Hasina havia deixado o Bangladesh a bordo de um helicóptero militar por volta das 14:30 (09:30 em Lisboa), acompanhada pela sua irmã mais nova, Sheikh Rehana. Fontes locais indicam que ambas viajaram para a Índia.

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Milhares de manifestantes reuniram-se hoje em frente à residência oficial da primeira-ministra, Ganabhaban, em Daca. Com a confirmação da saída de Hasina, muitos invadiram o edifício, conforme transmitido por vários canais de televisão. As imagens mostravam pessoas carregando mobiliário, frigoríficos e até loiças, celebrando o momento como uma vitória após meses de protestos.

Os manifestantes desafiaram o recolher obrigatório imposto pelo governo na noite anterior, que foi uma tentativa de conter mais um dia de violência desencadeada pelos protestos estudantis. Estes protestos, que começaram de forma pacífica há cinco semanas, intensificaram-se com denúncias de repressão policial excessiva.

Cerca de 300 pessoas, em sua maioria estudantes e civis, morreram durante os confrontos que mergulharam o Bangladesh num estado de caos. O movimento estudantil, que inicialmente exigia o fim das quotas discriminatórias no emprego público, evoluiu para um pedido de demissão da primeira-ministra e do seu governo, após a morte de manifestantes.

Sheikh Hasina estava no poder desde Janeiro, exercendo o seu quarto mandato consecutivo, após vencer eleições boicotadas pela oposição.

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