O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, decidiu manter-se em silêncio perante o juiz Juan Carlos Peinado, na terça-feira, num caso de corrupção e tráfico de influências envolvendo a sua esposa, Begoña Gómez, segundo informações do La Vanguardia.
Sánchez invocou o direito ao silêncio e não prestou depoimento. Inicialmente, ele havia manifestado disponibilidade para testemunhar por escrito, citando a lei do processo penal de Espanha que permite a líderes governamentais esta forma de depoimento em casos relacionados com o exercício do cargo.
Contudo, o juiz Peinado esclareceu que a convocação de Sánchez era na qualidade de cônjuge de Begoña Gómez e não de primeiro-ministro, insistindo na necessidade de um testemunho presencial e oral, a ser gravado no Palácio da Moncloa, sede da Presidência do Governo em Madrid.
Representantes do Ministério Público, advogados das defesas e das acusações deslocaram-se à Moncloa para ouvir o testemunho de Sánchez. No entanto, o primeiro-ministro reiterou o seu direito ao silêncio em investigações que envolvem cônjuges, conforme explicou Marta Castro, advogada do partido de extrema-direita Vox, que participou como representante das “acusações populares” no processo.
A investigação sobre Begoña Gómez tem origem em queixas de associações de extrema-direita e foca-se na sua relação profissional com um empresário cujas empresas receberam ajudas públicas ou participaram em concursos públicos durante o mandato de Sánchez como primeiro-ministro. Dois relatórios da investigação policial e o Ministério Público não encontraram indícios de irregularidades e recomendaram o arquivamento do caso, mas o juiz de instrução considera haver motivos para continuar a investigação, chamando várias pessoas para depor.
Pedro Sánchez e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) sustentam que a investigação não tem fundamento e é uma perseguição política e pessoal. Este caso, com a lei de amnistia para independentistas catalães, tem sido alvo de ataques constantes da oposição nas últimas semanas.
No final de Abril, Sánchez chegou a considerar a demissão, denunciando uma “máquina de lodo” que espalha mentiras e desinformação na Internet, as quais são depois usadas no debate político pela direita e extrema-direita e transformadas em processos judiciais através de queixas de associações extremistas.
















