Destaque Protestos contra planos fiscais no Quénia resultam em confronto com a polícia

Protestos contra planos fiscais no Quénia resultam em confronto com a polícia

A polícia queniana utilizou balas de borracha para dispersar manifestantes em Nairóbi, no terceiro dia de protestos contra os planos fiscais do Governo. Os protestos, liderados principalmente por jovens, ocorreram no centro da capital e em várias outras cidades do país.

Durante a manifestação, um agente da polícia foi ouvido a ordenar a utilização de balas de borracha, disparadas tanto para o ar como na direcção dos manifestantes. A agência de notícias France-Presse (AFP) relatou ter testemunhado o incidente.

Apesar da violência em Nairóbi, outras cidades quenianas, como Mombaça, Kisumu, Eldoret, Nyeri e Nakuru, também registaram manifestações, mas sem intervenção policial. Em Nairóbi, os manifestantes, na sua maioria jovens armados com bandeiras quenianas, apitos e vuvuzelas, foram inicialmente dispersados com gás lacrimogéneo antes de a polícia recorrer às balas de borracha.

A zona central de Nairóbi, onde se localiza o parlamento, foi fortemente vigiada por forças de segurança, incluindo canhões de água e polícia montada, bloqueando o acesso ao edifício onde está a ser debatido o controverso projecto de orçamento para 2024-2025. Este orçamento, apresentado em 13 de Junho, propõe novos impostos, incluindo um IVA de 16% sobre o pão e um imposto anual de 2,5% sobre veículos privados.

Os organizadores dos protestos apelaram a manifestações em todo o país e a uma greve geral, sob o movimento “Ocupar o Parlamento”. Embora o governo tenha anunciado a retirada de grande parte dos impostos previstos após uma manifestação inicial em 18 de Junho, a insatisfação popular persiste, especialmente entre a “Geração Z”.

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Os dois primeiros dias de manifestações, apesar de largamente pacíficos, resultaram na morte de duas pessoas em Nairóbi e ferimentos em várias dezenas de manifestantes. A polícia efectuou também centenas de detenções. A Amnistia Internacional do Quénia alertou para o risco de escalada da violência, que poderia resultar em mais mortes. A Comissão Queniana dos Direitos Humanos acusou as autoridades de raptarem activistas à noite, utilizando polícias à paisana em carros sem identificação. A porta-voz da polícia, Resila Onyango, não respondeu às perguntas sobre estas acusações.

O projecto de orçamento deve ser votado no parlamento antes do final do ano financeiro, a 30 de Junho. Os manifestantes exigem a retirada completa do texto, criticando o governo por substituir as medidas fiscais retiradas por outras, como um aumento de 50% dos impostos sobre combustíveis. O governo argumenta que os novos impostos são necessários para reduzir a dívida do país e aumentar a margem de manobra económica.

O Quénia, com uma população de cerca de 52 milhões de habitantes, é uma potência económica na África Oriental, mas enfrenta sérios problemas de inflação que afectam a qualidade de vida dos seus cidadãos.

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