Capa Presidente do Quénia retira projecto de lei orçamental após protestos mortais

Presidente do Quénia retira projecto de lei orçamental após protestos mortais

Kenyan President William Ruto gives an address at the State House in Nairobi, Kenya Wednesday, June 26, 2024. Kenyan President William Ruto said he won't sign into law a finance bill proposing new taxes a day after protesters stormed parliament and several people were shot dead. (AP Photo/Patrick Ngugi)

O Presidente do Quénia, William Ruto, anunciou a retirada do controverso projecto de lei orçamental que incluía aumentos e a implementação de novos impostos, decisão que desencadeou protestos violentos e mortais no país.

“Após ouvir atentamente o povo queniano, que deixou claro que não quer ter nada a ver com esta Lei das Finanças 2024, inclino a minha cabeça e não promulgarei a Lei das Finanças 2024, que será, portanto, retirada”, declarou William Ruto num discurso, após um dia de intensos protestos contra a lei, que resultaram em 22 mortos, segundo a Comissão Nacional dos Direitos Humanos do Quénia.

O Presidente explicou que, após a aprovação do projecto de lei, houve uma expressão generalizada de descontentamento, o que levou tragicamente à perda de vidas e à destruição de propriedades.

A votação do projecto de lei na terça-feira, no parlamento onde o partido presidencial Kenya Kwanza detém a maioria, provocou a ira dos manifestantes que se reuniram nas proximidades, em Nairóbi, para o terceiro dia de protestos contra a proposta em apenas oito dias.

A multidão invadiu o parlamento, saqueando e incendiando vários edifícios, num ataque sem precedentes na história do país desde a independência em 1963. Segundo várias organizações não-governamentais, a polícia disparou munições reais contra os manifestantes. Além de Nairóbi, várias outras cidades também registaram pilhagens e actos de vandalismo, com edifícios incendiados em Eldoret, no Vale do Rift, reduto do Presidente.

Recomendado para si:  Sporting brilha na Europa e apura-se directamente para os oitavos da Liga dos Campeões

William Ruto apelou a uma consulta nacional para discutir o futuro do país sem a Lei das Finanças de 2024. “Precisamos de ter uma conversa com a nação para avançar. Como é que vamos gerir a situação da nossa dívida em conjunto? Vou propor um compromisso com os jovens da nossa nação, os nossos filhos e filhas”, afirmou o Chefe de Estado.

O Governo defendia que estas medidas fiscais eram necessárias para restaurar a margem de manobra do país, fortemente endividado, com a dívida pública a representar cerca de 70% do Produto Interno Bruto. As medidas eram também consideradas essenciais para financiar o ambicioso orçamento de 2024-25, com uma despesa recorde de 4.000 mil milhões de xelins (cerca de 29 mil milhões de euros).

Destaques da semana