As autoridades mexicanas confirmaram o assassínio a tiro de Israel Delgado Vega, candidato à administração do município de Cuitzeo, no oeste do país, poucas horas antes da abertura das mesas de voto.
De acordo com um comunicado da Procuradoria-Geral estadual de Michoacán, citado pela agência EFE, Vega, de 35 anos, foi morto por volta das 23:00 de sábado em frente à sua casa, na cidade de San Juan Benito Juárez. O ataque foi perpetrado por dois homens que dispararam a partir de um motociclo.
Israel Delgado Vega era candidato por uma coligação de apoio ao Presidente do país, Lopez Obrador, composta pelo Partido Trabalhista (PT), o Movimento de Regeneração Nacional (MORENA) e o Partido Ecologista Verde do México (PVEM). Ele integrava a lista encabeçada por Rosa Pintor, actual presidente da câmara de Cuitzeo, que busca a reeleição.
Em Junho de 2021, o marido de Rosa Pintor foi também assassinado por um grupo armado quando regressava de um evento político. Mais tarde, em Abril de 2022, Francisco Díaz Rodríguez, então administrador da autarquia de Cuitzeo, foi sequestrado e assassinado por supostos assassinos contratados, sem que até ao momento tenha havido detenções. Em Maio deste ano, foi noticiado o desaparecimento de José Bernardo Aguirre García, secretário particular de Fernando Alvarado Rangel, candidato do partido de direita Ação Nacional ao município de Cuitzeo.
Cuitzeo está localizada a 35 quilómetros ao norte da cidade de Morelia, capital de Michoacán, uma região marcada pela violência de grupos de narcotraficantes e do crime organizado, que disputam o roubo de combustível dos oleodutos da petrolífera mexicana.
Estes acontecimentos evidenciam a violência eleitoral no México, onde o Governo já reconheceu o assassínio de 22 candidatos, enquanto grupos independentes apontam para cerca de 250 homicídios políticos, incluindo assessores, funcionários, familiares e vítimas colaterais.
Hoje, mais de 98 milhões de eleitores são chamados às urnas no México para eleições gerais que poderão eleger a primeira Presidente do país, enfrentando problemas como o narcotráfico, as migrações e a relação conturbada com os Estados Unidos. Estas serão as maiores eleições da história do país, com mais de 20 mil cargos a serem disputados, incluindo a Câmara dos Deputados (500), o Senado (128), oito governadores e o governo da capital, Cidade do México, além de outros cargos regionais e locais.
As duas mulheres que lideram a corrida presidencial são Claudia Sheinbaum, do partido de centro-esquerda MORENA, e Xóchitl Gálvez, do conservador Partido da Ação Nacional (PAN).
A eleição de uma Presidente seria um marco num país com níveis alarmantes de violência baseada no género e profundas disparidades nessa área, onde a misoginia se manifesta através de altas taxas de homicídios e outros crimes violentos contra mulheres.
Estas eleições são também acompanhadas pelo maior número de observadores eleitorais estrangeiros de sempre na história do México, com mais de 1.300 elementos credenciados.
Entretanto, pelo menos 222 centros de voto vão permanecer encerrados devido a problemas de segurança ou conflitos sociais, afectando cerca de 120 mil eleitores, informou o Instituto Nacional Eleitoral (INE). A maioria destes centros de voto (108) situa-se em Chiapas, um estado fronteiriço do sul onde a violência levou à suspensão das votações em municípios como Chicomuselo e Pantelhó. Em Michoacán, 84 locais de voto também não vão abrir devido à insegurança, afirmou Miguel Ángel Patiño, director executivo da organização eleitoral do INE, em conferência de imprensa no sábado.















