No decorrer do ano de 2023, o Irão conduziu um total de pelo menos 834 execuções, de acordo com dois relatórios divulgados por organizações não-governamentais (ONGs), o que representa um aumento de 43% em comparação com o ano anterior e o valor mais alto desde 2015.
O relatório, apresentado pela Iran Human Rights (IHRNGO) e pela Ensemble contra la peine de mort (ECPM), destaca um aumento significativo no número de execuções no Irão, chamando a atenção para o facto de este ser o segundo ano em duas décadas em que o número de execuções ultrapassa a marca de 800 anualmente. As organizações classificam este número como alarmante.
As execuções no Irão, que frequentemente ocorrem por enforcamento ou estrangulamento, atingiram um total de pelo menos 22 mulheres em 2023, o que representa o valor mais elevado dos últimos 10 anos, conforme reportado pelas ONGs.
O relatório também destaca a alegada utilização da pena de morte como instrumento de repressão política no Irão, especialmente após o movimento de protesto que surgiu em resposta à morte de Mahsa Amini, uma mulher curda iraniana de 22 anos, que faleceu sob custódia policial em setembro de 2022 após ser detida por não usar o véu corretamente. Este incidente desencadeou protestos em larga escala em todo o país.
As ONGs afirmam que as execuções extrajudiciais dentro e fora das prisões não foram incluídas nas estatísticas de execução do relatório, destacando que pelo menos 551 pessoas foram mortas em manifestações ou execuções extrajudiciais em 2023. Entre os executados, pelo menos oito manifestantes estavam entre eles, seis dos quais haviam sido detidos e condenados em conexão com os protestos.














