Internacional Crise no Haiti persiste apesar da demissão do primeiro-ministro

Crise no Haiti persiste apesar da demissão do primeiro-ministro

Após a renúncia do primeiro-ministro Ariel Henry, o Haiti está a preparar-se para um conselho presidencial de transição, mas persistem incertezas sobre a melhoria da situação no país, que tem sido devastado pela violência das gangues.

Um sinal de que a situação ainda está longe de se estabilizar foi a decisão do Quénia de suspender nesta terça-feira o envio planeado de agentes policiais para o Haiti, como parte de uma missão internacional apoiada pela ONU.

Ariel Henry, que não conseguiu regressar ao país após uma viagem ao Quénia, afirmou numa mensagem de vídeo na segunda-feira à noite que continuará a gerir os assuntos diários até que seja implementada uma “transição do conselho presidencial”.

O anúncio foi feito pela primeira vez pela Comunidade das Caraíbas (Caricom) durante uma reunião de emergência na Jamaica, com representantes da ONU, dos Estados Unidos, partidos políticos e sociedade civil haitiana.

A União Europeia elogiou os “progressos significativos” alcançados durante a reunião na Jamaica e considerou que “uma transição política viável, inclusiva e sustentável liderada pelos haitianos [era] a única opção para colocar o país no caminho da estabilidade”.

Este conselho de transição presidencial deve “escolher e nomear rapidamente um primeiro-ministro interino”, de acordo com a Caricom.

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No entanto, permanece a incerteza sobre como as gangues criminosas reagirão, já que controlam cerca de 80% da capital.

Um líder de uma dessas gangues armadas, Jimmy Chérizier, conhecido como “Barbecue”, ameaçou recentemente uma “guerra civil” se Ariel Henry não renunciasse.

O Haiti, que não tem presidente nem parlamento desde o assassinato do último chefe de Estado, Jovenel Moïse, em 2021, não tem eleições desde 2016.

O país, com uma população de 11,6 milhões de habitantes, está a braços com a violência das gangues, o que levou a França a retirar o seu “pessoal não essencial”, após uma medida semelhante da UE.

Apesar dos esforços da comunidade internacional para ajudar o Haiti a encontrar uma solução para a crise política e humanitária, o país continua a enfrentar uma das crises alimentares mais graves do mundo, com 1,4 milhões de haitianos à beira da fome, de acordo com o chefe do Programa Alimentar Mundial (PMA) no Haiti. Além disso, o número de deslocados no país aumentou para 362 mil desde o início do ano, segundo a Organização Internacional para as Migrações.

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