Na sequência do atentado em Bruxelas, que vitimou duas pessoas de nacionalidade sueca, os chefes de Estado da Bélgica e da Suécia apelaram esta quarta-feira a um reforço da proteção das fronteiras externas da União Europeia e à implementação de procedimentos mais rigorosos de expulsão de imigrantes ilegais.
Após uma cerimónia de homenagem às vítimas, na manhã desta quarta-feira em Bruxelas, o primeiro-ministro belga Alexander De Croo e o seu homólgo sueco Ulf Kristersson deram uma conferência de imprensa conjunta com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, onde apelaram a uma maior proteção das fronteiras.
“Não podemos ignorar” que o presumível autor do atentado na capital belga na segunda-feira à noite “era uma pessoa de origem imigrante ilegal”, destacou o primeiro-ministro belga, Alexander De Croo.”Temos de resolver este problema e só o podemos fazer se o fizermos de forma coordenada”, defendeu De Croo.
Contudo, o líder do Governo belga apelou a “uma melhor proteção das fronteiras externas da União Europeia” e a “uma política de regresso mais resoluta e coordenada” para as pessoas a quem foi recusado asilo.
Na segunda-feira à noite, antes de um jogo de futebol entre a Bélgica e a Suécia na capital belga, dois adeptos suecos foram assassinados com uma arma automática por um homem radicalizado, de origem tunisina, que se encontrava em situação irregular na Bélgica.
Segundo a imprensa belga, o suspeito de ter matado os dois suecos e ferido um terceiro antes de fugir numa scooter é Abdesalem Lassoued, de 45 anos, que vivia em Bruxelas mesmo depois de o seu pedido de asilo ter sido rejeitado em 2020 e objeto de uma ordem de saída do país que nunca se concretizou.
O ataque a cidadãos suecos parece estar relacionado com a profanação de um exemplar do Corão na Suécia, no passado mês de junho, que provocou a ira do mundo muçulmano. O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, afirmou esta quarta-feira que “sermos firmes na defesa da democracia, da tolerância, da abertura e da liberdade também exige que sejamos firmes no que respeita à segurança”.”Temos de ser capazes de proteger as nossas fronteiras. Precisamos de saber quem está na Suécia, legal ou ilegalmente. Se as pessoas não estão cá legalmente, devem ser obrigadas a abandonar o país”, acrescentou Ulf Kristersson.
Também Ursula von der Leyen apelou a um reforço “urgente” do quadro europeu nesta matéria. A presidente da Comissão Europeia explicou que através de uma disposição incluída no Pacto de Asilo e Migração, atualmente a ser negociado pela UE, a “Comissão propôs que se uma pessoa for considerada uma ameaça à segurança nacional os Estados-membros devem poder forçá-la a sair”.
De acordo com dados da Comissão Europeia, citados pela agência France Presse (AFP), cerca de 65 mil pessoas já foram expulsas da UE em 2023 e cerca de 400 mil recebem por ano ordem de saída do território.














