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República Democrática do Congo: Operação militar conjunta liberta civis em posse da ADF

Cerca de cem civis que foram sequestrados por um grupo rebelde no Leste da República Democrática do Congo (RDC) foram, segunda-feira, resgatados numa operação militar combinada entre as autoridades congolesas e o Uganda, revelou a AFP.

O grupo rebelde Forças Democráticas Aliadas (ADF), que é islâmico e opera tanto na RDC como no Uganda, vinha mantendo vários civis reféns. Durante cerca de dois meses, as forças aéreas da RDC e do Uganda atacaram as fortalezas dos rebeldes das ADF nos vales de Mwalika e Nzulube, Lusilubi na confluência do rio Semuliki em Beni, na província de Kivu do Norte, e em Beu, perto de Boga, no território de Irumu, na província de Ituri. Alguns desses reféns, que incluíam mulheres e crianças, foram sequestrados em diferentes aldeias.

Várias organizações da sociedade civil têm apelado ao Governo de Kinshasa para que reveja a convenção com o Uganda, a fim de alargar a área de intervenção das operações militares conjuntas. A ADF começou suas insurgências atacando pela primeira vez o Governo ugandês em 1995. Em seguida, começou a lutar na RDC. Acredita-se que tenha matado cerca de 700 civis e também tenha lutado contra soldados de manutenção da paz da ONU.

Entretanto, a União Europeia (EU) pediu, ontem, ao Ruanda que deixe de apoiar o grupo rebelde M23, que capturou faixas de território na província de Kivu do Norte, na vizinha RDC, juntando-se assim aos EUA e vários países europeus que acusam Kigali de apoiar esse mesmo grupo. Segundo a Efe, o chefe da política externa da UE, Jo-sep Borrell, disse que o bloco europeu pediu ao Ruanda que “pare de apoiar o M23 e use todos os meios para pressionar o grupo a cumprir as decisões tomadas pela Comunidade da África Oriental”.

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Os comentários de Borrell surgem depois que um relatório de especialistas das Nações Unidas sobre a RDC indicou que havia recolhido provas de “intervenção directa” das Forças de Defesa ruandesas dentro do território da RDC entre Novembro de 2021 e Outubro de 2022. Num comunicado, Kinshasa saudou as conclusões dos especialistas da ONU, mas pediu que o Conselho de Segurança examinasse o relatório dos especialistas com vista a possíveis sanções contra o Ruanda.

Enquanto isso, o Presidente do Ruanda, Paul Kagame, no discurso de Ano Novo, culpou Kinshasa pelo caos nas suas voláteis regiões orientais. “Depois de gastar dezenas de biliões de dólares em manutenção da paz nas últimas duas décadas, a situação de segurança no Leste do Congo está pior do que nunca”, disse Kagame. “Para explicar esse fracasso, alguns países na comunidade internacional culpam o Ruanda, embora saibam muito bem que a verdadeira responsabilidade recai principalmente sobre o Governo da RDC. É mais do que tempo de parar a difamação injustificada do Ruanda.”

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