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Quarta-feira, Fevereiro 4, 2026
Internacional Sondagem indica que Putin tem o “apoio absoluto” da população

Sondagem indica que Putin tem o “apoio absoluto” da população

Os índices de aprovação do presidente russo, Vladimir Putin, atingiram valores “sem precedentes” nos primeiros meses deste ano, segundo demonstra uma sondagem de uma organização independente russa. De acordo com a mesma pesquisa, divulgada na quinta-feira, Putin tem o “apoio absoluto” da população.

Segundo a RTP, os resultados de uma sondagem do Levada Center, o índice de aprovação do presidente russo “aumentou significativamente”. Oitenta e três por cento dos russos dizem aprovar as decisões de Vladimir Putin, um aumento face aos 71% registados em fevereiro e aos 69% reportados em janeiro.

A maioria dos russos também acredita que o país está a caminhar na direção certa, tendo sido mesmo observado um aumento da percentagem um mês após o início da ofensiva russa contra a Ucrânia. Segundo a sondagem, 69% dos russos defendem que a Rússia está a caminhar na direção certa – um aumento de 17 pontos percentuais face a fevereiro. Apenas 22% dos russos consideram que Moscovo está a caminhar na direção errada.

Setenta por cento dos russos aprovam também as atividades do Governo e cerca de um quarto (27%) não aprova. Em fevereiro, 55% dos russos davam sinais de aprovação e 42% reprovavam as atitudes do Kremlin.

Alguns observadores acreditam que as pesquisas russas não refletem com precisão a opinião pública, dado que muitas pessoas escolhem dar respostas que acreditam ser socialmente aceitáveis e favoráveis ao Governo.
“Putin defende-nos, senão seríamos comidos vivos”
Os resultados da sondagem do Levada Center podem ser também explicados pela desinformação. Com o acesso bloqueado às redes sociais e o apertado controlo sobre os meios de comunicação, muitos russos não veem a ofensiva russa à Ucrânia como uma guerra, mas sim como uma “operação militar especial” com o objetivo de “desnazificar” o país vizinho, tal como foi descrito por Putin.

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O acesso ao Twitter e Facebook foi bloqueado na Rússia e a maioria dos meios de comunicação independentes foram silenciados pelo Kremlin. Meios de comunicação estrangeiros foram bloqueados e os media russos independentes foram obrigados a suspender a atividade, acusados de espalhar desinformação.

Para além disso, os órgãos de comunicação russos são aconselhados pelo Kremlin a não utilizar a expressão “invasão russa da Ucrânia” e a substituir por “operação militar especial”. Como forma de controlar a informação divulgada, o Kremlin promulgou uma lei para punir aqueles que divulguem “informações falsas” sobre a invasão da Ucrânia.

A Rússia leva ainda a cabo uma estratégia de repressão contra as vozes críticas, com milhares de manifestantes anti-guerra detidos nas últimas semanas.

Denis Volkov, diretor do Levada Center, explicou ao New York Times que os sentimentos iniciais de “choque e confusão” que muitos russos sentiram no início da invasão da Ucrânia, a 24 de fevereiro, estão a ser substituídos pela crença de que a Rússia está sitiada e que o povo deve unir-se ao seu líder.

“O confronto com o Ocidente consolidou a opinião das pessoas”, disse Volkov, acrescentando que alguns entrevistados admitiram que, embora geralmente não apoiassem Putin, agora era a hora de o fazer.

Tal como descreve Volkov, as pessoas acreditam que “estão todos contra nós” e que “Putin defende-nos, senão seríamos comidos vivos”.

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