Internacional Nicarágua retira-se da Organização dos Estados Americanos

Nicarágua retira-se da Organização dos Estados Americanos

O governo de Daniel Ortega fechou neste domingo (24) o escritório da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Manágua e adiantou a saída dos representantes nicaraguenses perante a organização, da qual já havia anunciado sua retirada em novembro de 2021.

Segundo o chanceler nicaraguense, Denis Moncada, seu país deixa imediatamente de participar da OEA e retira as credenciais de seus representantes em Washington.

Num comunicado, o diplomata acusou a OEA, com sede em Washington, de ser um “instrumento diabólico” de “intervenção e dominação” do Departamento de Estado “do imperialismo norte-americano”.

“Tampouco essa organização infame, consequentemente, terá escritórios em nosso país. Sua sede local foi fechada”, acrescentou.

“Apartir deste dia, estamos a abandonar todos os mecanismos enganosos desse monstro, sejam eles a comissão permanente, comissões, reuniões, e a Cúpula das Américas”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Nicarágua, Denis Moncada.

O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, destituiu em março o ex-jornalista Arturo McFields como embaixador do país na OEA, um dia depois do diplomata ter denunciado uma “ditadura” no seu país.

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Arturo McFields disse durante uma reunião ‘online’ da OEA que falava em nome de “mais de 177 prisioneiros políticos e mais de 350 pessoas que perderam as suas vidas no país desde 2018”.

Ao mesmo tempo, admitiu ter medo de falar contra o governo de Ortega, mas que “tinha de falar” mesmo que o seu futuro e o da sua família “seja agora incerto”.

“Denunciar a ditadura do meu país não é fácil, mas manter o silêncio e defender o indefensável é impossível”, apontou McFields.

A Assembleia Geral da OEA votou para condenar as eleições de 07 de novembro que deram a Ortega um quarto mandato consecutivo, dizendo que elas “não foram livres, justas ou transparentes e carecem de legitimidade democrática”.

O governo da Nicarágua já tinha expulsado em março um dos responsáveis da missão do Comité Internacional da Cruz Vermelha no país, Thomas Ess, que tinha criado um escritório para monitorizar “presos políticos”.

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