A organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) acusou hoje as autoridades de Myanmar (antiga Birmânia) de deterem pelo menos seis advogados que representavam presos políticos.
Três foram detidos quando compareceram em tribunal para representar os respetivos clientes. Um deles, Thet Tun Oo, está a defender mais de 120 presos políticos no estado de Kachin.
“As autoridades detiveram outros advogados em casa, na rua, ou quando procuravam abandonar o país. As forças de segurança espancaram e detiveram May Zun Ko, uma advogada que prestava serviços jurídicos ‘pro bono’ aos detidos, enquanto caminhava na rua em Mandalay e colocaram sob custódia Nilar e Hpone Myat Thu quando tentavam sair do país depois de terem sido informados dos mandados de captura pendentes.
A HRW sublinhou que transformar em alvos os advogados de defesa de presos políticos é “contrário aos princípios básicos das Nações Unidas”, lembrando que estes “devem ser autorizados a desempenhar todas as funções profissionais sem intimidação, impedimento, assédio ou interferência imprópria, e não devem ser sujeitos a sanções civis ou penais por declarações de boa fé feitas em defesa dos clientes”.
“Prender advogados de defesa deixa bem claro que a junta [militar] de Myanmar não tem interesse em proporcionar um julgamento justo aos ativistas pró-democracia e que a Justiça sob governo militar é uma ilusão”, argumentou a ONG.
“As Nações Unidas (…) deviam exigir a libertação imediata dos seis advogados, juntamente com todos os que foram detidos arbitrariamente desde o golpe”.
A Associação de Assistência aos Presos Políticos (AAPP) contabilizou, até quarta-feira, a detenção de 6.421 pessoas pelas forças de segurança desde a revolta, das quais 5.554 ainda se encontravam na prisão, e emitiu mandados de detenção para 1.988 suspeitos.

















