A Amnistia Internacional denunciou na terça-feira que a Grécia converteu em prática comum da sua política migratória as expulsões forçadas ilegais, a tortura e maus-tratos de pessoas que entram via fronteira terrestre com a Turquia.
No seu novo relatório, intitulado “Grécia: Violência, mentiras e devoluções ilegais”, esta organização não-governamental (ONG) apresenta mais de uma vintena de testemunhos sobre os retornos forçados que ocorreram em Evros, na fronteira terrestre entre a Turquia e a Grécia.
Em termos concretos, o documento refere-se ao período entre junho e dezembro de 2020, durante o qual centenas de pessoas sofreram violações dos direitos humanos de forma sistemática às mãos das autoridades fronteiriças.
“Muitas partes do aparelho estatal grego estão a coordenar-se estreitamente para deter e prender brutalmente as pessoas que vieram procurar segurança à Grécia”, afirmou em comunicado a especialista da ONG em migrações na Europa, Adriana Tidona.
A maioria das testemunhas do relatório assinalaram que foram golpeadas com paus e cassetetes por parte de encapuçados, que os arrastaram à força e colocaram do outro lado da fronteira.
A Amnistia Internacional denunciou que esta prática ocorre em mais locais, além de Evros, e está a recolher provas que mostram que várias pessoas foram detidas a 700 quilómetros de distância desta localidade e expulsas da Grécia pelas forças de segurança sem seguir os trâmites legais.
Perante esta situação, a Amnistia Internacional voltou a acusar a Agência Europeia de Guardas Fronteiras e Costeiras (Frontex) de conivência com a situação e assinalou que todos os testemunhos que recolheu relatam factos que correram em zonas de presença da Frontex.
Desde que com o início da pandemia do novo coronavírus as devoluções legais à Turquia ficaram suspensas, dezenas de organizações internacionais denunciaram que as expulsões forçadas por parte das autoridades gregas se multiplicaram.
Há apenas um mês, o Conselho da Europa instou a Grécia a acabar com as expulsões coletivas e ilegais de migrantes nas fronteiras marítima e terrestre com a Turquia, práticas que o governo de Atenas nega terminantemente.














