Pelo menos 14 pessoas foram mortas na sequência de uma incursão de supostos rebeldes ugandeses pertencentes à milícia islâmica Allied Democratic Forces (ADF) na província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo (RDCongo), referiram fontes oficiais.

“Fomos informados pela população e resgatámos alguns residentes em poucos minutos”, indicou um porta-voz do Exército congolês, tenente-coronel Jules Ngongo, citado pela agência noticiosa Efe.

O ataque ocorreu durante a noite de terça-feira (02) no território de Irumu.

“Os rebeldes fugiram mas primeiro mataram 10 civis”, acrescentou a fonte militar, acrescentando que o Exército conseguiu, ainda assim, apreender armas e munições pertencentes ao grupo.

Segundo Ngongo, o Exército congolês dispõe de elementos armados implantados no território, onde prevalece uma “calma precária”. “Os nossos elementos estão implantados no território, mas também entre a população, porque a dificuldade é que alguns atacantes estão a infiltrar-se na população”, explicou.

Entretanto, mais quatro corpos foram encontrados sem vida na aldeia de Irumu, indicou também à Efe por telefone um responsável da sociedade civil local, Jean Bosco Lalo.

“Graças ao facto de as forças armadas terem chegado rapidamente, os atacantes não tiveram tempo de saquear as lojas”, acrescentou.

ADF iniciou a sua campanha violenta em 1996 no Uganda ocidental, como protesto político contra o regime de Yoweri Museveni, mas o Exército ugandês forçou a sua retirada, levando-a a encontrar refúgio em território da RDCongo, onde têm desde então levado a cabo ataques violentos e pilhagens para obter alimentos.

A agenda da ADF é difusa, pois pode ter ligações à organização ‘jihadista‘ Estado Islâmico, e tem um ‘modus operandi‘ de guerrilha, beneficiando de uma geografia montanhosa, que lhes permite escapar às operações do Exército congolês e da missão de estabilização da ONU no país, Monusco, que enviou cerca de 18.000 capacetes azuis para o país.

O nordeste da RDCongo está mergulhado num conflito armado desde há décadas, alimentado por cerca de uma centena de milícias rebeldes, protagonistas de ataques na sua larga maioria impunes.