A vacina da AstraZeneca não está a ser recomendada para os maiores de 65 anos em vários países europeus. É essa a linha que seguem os comités científicos de França, Alemanha, Polónia, Áustria, Suécia, Itália e Países Baixos – onde vivem quase dois terços da população da União Europeia (UE).

Desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, a vacina foi aprovada pela Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sua sigla em inglês), a 29 de janeiro, para utilização a partir dos 18 anos e não é referido qualquer restrições para a população mais idosa.

Já antes da luz verde do regulador europeu, a Alemanha considerava que a vacina só deveria ser administrada a menores de 65 anos, devido a uma alegada falta de dados sobre a sua eficácia nas pessoas com uma idade superior. Berlim esperava que a União Europeia aprovasse com “restrições” nas faixas etárias, o que acabou por não acontecer.

A juntar-se à Alemanha, uma grande parte dos países da União Europeia já fez saber que não recomenda a imunização da vacina da farmacêutica anglo-sueca aos mais idosos por falta de provas da sua eficácia nesta camada da população. Espanha também deverá seguir o exemplo dos restantes países europeus.

É esperado que nesta quarta-feira o Conselho Interterritorial do Sistema Único de Saúde (CISNS) espanhol anuncie a decisão de não recomendar esta vacina à população mais idosa, noticia o El País. “É possível que na União Europeia seja seguida a recomendação da Alemanha, é prudente, mas para decidir, tem que se analisar a ficha técnica da vacina”, disse, anteriormente, Fernando Simón, diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias.

Em Portugal, a primeira remessa da vacina chega a 9 de fevereiro, conforme anunciou Francisco Ramos, coordenador do plano de vacinação, em declarações à SIC. “Chegarão cerca de 113 mil doses, salvo erro, no dia 9 de fevereiro”, afirmou o responsável.

Na segunda-feira, a ministra da Saúde, Marta Temido, esclareceu que o Governo português está a aguardar que a EMA se pronuncie a propósito das dúvidas sobre a proteção da vacina da AstraZeneca/Oxford em pessoas mais idosas. “Aguardamos que esse facto seja esclarecido”, disse a ministra.

“Alguns países tomaram posições em relação a esse tema, a Agência Europeia do Medicamento ainda não o fez e nós aguardamos que esse facto seja esclarecido”, disse a governante numa conferência de imprensa de balanço do plano de vacinação.

A vacina é a terceira a ser aprovada pelo regulador europeu, depois dos fármacos desenvolvidos pela Moderna e Pfizer/BioNTech. Em última instância, cabe a cada Estado-membro decidir como deve proceder em relação à utilização da vacina na sua população. E caso a vacina acabe por não ser recomendada a maiores de 65 anos, poderá haver alterações no plano de vacinação.

Também na segunda-feira, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde informou que ainda se estava a “estudar e a ponderar”” sobre esta questão. “Essa é uma matéria de discussão internacional e adequaremos aquilo que é a melhor evidência científica”, afirmou o governante numa visita ao Hospital de Faro.

Refira-se que o Reino Unido, que começou a administrar a vacina desde 4 de Janeiro, não tem aplicado restrições quanto à toma a maiores de 65 anos.