Os ministros da Defesa de Moçambique e de Portugal, Jaime Neto e João Gomes Cravinho, respectivamente, reuniram-se semana passada, na cidade de Maputo, para reforçar a cooperação bilateral neste domínio, que contempla o aprofundamento do novo Programa-Quadro, tendo em consideração os desafios da actualidade.

Um comunicado da Embaixada portuguesa em Moçambique indica que a reunião bilateral teve lugar a convite do ministro moçambicano ao seu homólogo luso.

Do lado moçambicano, para além do ministro Jaime Neto, faziam parte da delegação o secretário permanente do Ministério da Defesa Nacional, Casimiro Augusto Mueio; o tenente-general Raul Luís Dique, vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), e outros quadros seniores do sector.

A delegação portuguesa integrava a embaixadora em Moçambique, Maria Amélia Paiva, e outros quadros seniores do sector da defesa daquele país europeu.

O ministro português deu nota da importância da actuação das Forças Armadas do seu país no combate à pandemia da Covid-19, incluindo o seu papel no plano de vacinação.

Informou que Portugal está disponível para apoiar Moçambique no seu plano nacional, no seguimento da troca de impressões entre o Presidente Filipe Nyusi e o Primeiro-ministro da República Portuguesa, António Costa.

Por seu turno, Jaime Neto deu a conhecer ao seu homólogo luso a situação económica e de segurança em Moçambique, tendo enfatizado a resposta que o Governo tem dado aos desafios de segurança nalguns distritos da província de Cabo Delgado.

Os dois ministros reconheceram que o terrorismo constitui, hoje, uma ameaça transnacional que requer esforços concertados da comunidade internacional, constituindo o novo ciclo de cooperação bilateral e uma oportunidade para corresponder, de forma mais eficaz, às necessidades de Moçambique no combate a este mal.

Passaram em revista a proposta do Programa-Quadro de Cooperação no Domínio da Defesa para o período 2021-2025, concordando com a oportunidade de nele integrar novas áreas, de modo a acompanhar a alteração do ambiente de segurançae a potenciar reciprocamente as suas mais-valias para as Forças Armadas dos dois países, nomeadamente em matéria de formação de forças especiais.

Neste contexto, João Gomes Cravinho manifestou total disponibilidade do seu país para apoiar os esforços de Moçambique no combate aos grupos terroristas que têm realizado ataques em alguns distritos de Cabo Delgado.

Através da formação de forças de intervenção rápida (forças especiais, fuzileiros, operações especiais e controlo aéreo táctico) e da sua capacitação, a iniciativa será materializada no início de 2021.

Foram ainda assinaladas áreas de interesse específico como ciberdefesa, cartografia, hidrografia e cooperação industrial de defesa, tendo os ministros mandatado as equipas técnicas para aprofundarem as respectivas modalidades de implementação.

No quadro do relacionamento com a União Europeia, foi referido o pedido de apoio apresentado por Moçambique e a prioridade que a presidência portuguesa do grupo atribui ao reforço da parceria de segurança e defesa UE-África.

O comunicado refere ainda que a reunião bilateral alcançou os objectivos propostos e decorreu num ambiente de irmandade, cordialidade e abertura, tendo o ministro moçambicano aceitado o convite formulado pelo seu homólogo para realizar uma visita oficial a Portugal no primeiro trimestre de 2021.