As bancadas parlamentares da Renamo e do MDM não gostaram do comportamento do Governo durante a sessão de informações ao parlamento e querem que seja dado um cartão amarelo, por “desrespeito” aos deputados.

Através de projetos de moções submetidos à mesa da Assembleia da República, no dia 29 de Outubro, a oposição mostra-se indignada com a prestação do executivo, que terá faltado ao respeito aos deputados, por ter ignorado as perguntas de insistência levantadas durante a plenária.

“Tendo sido feitas solicitações de informação no período de insistência, o Governo, de forma surpreendente, fugiu às suas responsabilidades, pura e simplesmente, fazendo tábua rasa e ignorando por completo os senhores deputados e as suas inquietações, comportamento que denota um grande desrespeito à casa do povo e, por essa via, ao povo moçambicano, que tinha expectativa de ouvir esclarecimentos sobre uma matéria tão importante como seja a segurança e a paz”, explica o projeto de moção do MDM.

A situação da insegurança nas províncias de Manica, Sofala e Cabo Delgado eram parte das informações de que o parlamento pretendia ter detalhes nas sessões plenárias dos dias 28 e 29 de Outubro.

Sucede que, no último dia da sessão, no lugar de responder asquestões de insistência, o primeiro ministro, que chefiava os membros do Governo, optou, segundo indica a moção, por fazer as considerações finais e ignorar as questões.

O MDM diz que “pela sua gravidade, a matéria é suscetível e razão suficiente para submeter o projeto atinente a moção de censura”, como forma do parlamento “mostrar a sua indignação e defender a honra desta casa e reafirmar o seu compromisso na defesa do povo e das instituições”.

Impacto

Na mesma linha está a Renamo, maior partido da oposição, que também submeteu ao parlamento, uma moção de repúdio.

“Nós também não ficamos satisfeitos e como um bloco, toda a oposição vai unir-se para censurar o governo, para que situações do género não se repitam” disse Arnaldo Chalaua, porta-voz do grupo parlamentar da Renamo.

O analista político Gabriel Ngomane diz que as moções em causa não terão grande impacto para o governo, porque até poderá ser chumbada, uma vez que o executivo tem um apoio da bancada maioritária.

Ngomane diz ainda que houve situações mais sérias, como a questão das chamadas dívidas ocultas, em que a oposição deveria ter agido da mesma forma, mas que, acabou não fazendo, “o que teria dado maior impacto e sentido à oposição”.