Dois irmãos iraquianos separados desde bebés que desconheciam que o outro ainda estava vivo reencontraram-se em Bagdade ao fim de quarenta anos. O encontro emocional foi registado em imagens na net.

Em 1980, Haider Jawad Al Mousawi foi preso pelo regime de Saddam Hussein juntamente com o seu irmão mais novo, Ahmed, os seus pais e os seus tios. Eram acusados de pertencer a um partido proibido, e os adultos não terão demorado a ser executados. O mesmo que Haider julgava ter acontecido a Ahmed.

Em finais de setembro, ele escreveu no Facebook, a partir da Suécia, onde vive: “Neste dia, há 40 anos, fui detido na prisão. Poderão perguntar-me, ‘que idade tem agora?’. Tenho 44 anos e em 1980 tinha quatro, e recordo tudo o que me aconteceu. Se temos um pai que está envolvido em política, como é que isso é nossa culpa?”.

“UM MÁRTIR VIVO”

Haider escapou da prisão graças à sua avó, que o escondeu por baixo das roupas, mas o seu irmão, na altura com dois anos, não teve a mesma sorte, e ele recordava-o na mensagem, publicando uma fotografia dele. “O tempo é belo, pois os baathistas desapareceram. Mas toda a minha família foi morta, e eu fui o único que consegui escapar da prisão”, concluía.

A mensagem circulou em grupos de WhatApp iraquianos, e, por sorte, uma mulher, ao ver a criança na foto, reconheceu o irmão que a sua família havia adotado. Ao que parece, a criança tinha sido poupada e acabou por ir parar a uma esquadra, tendo sido criada por um chefe da vizinhança local.

Segundo um membro da Comissão Iraquiana de Direitos Humanos entrevistado pelo jornal “The National”, “é uma história verdadeiramente dolorosa, que mostra a extensão de crimes horríveis que atingiram o povo iraquiano, em especial certas sociedades, cometidos pelo regime Baath, que costumava derivar a sua força, presença e arrogância do apoio regional e internacional”.

Pela sua parte, Haider explicou após reencontrar o irmão: “Esta história não respeita apenas a duas pessoas, resume a dor de uma nação. O meu irmão é um mártir vivo”