O objetivo é julgar em Moçambique os ex-banqueiros Andrew James Pearse, Detelina Subveva e Surjan Singh, bem como Jean Boustani, todos envolvidos no caso das dívidas ocultas.

Para além da emissão dos mandados de captura internacional contra os três ex-banqueiros do Credit Suisse e de um representante do estaleiro Privinvest envolvidos no caso das dívidas ocultas, a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique redigiu também pedidos de extradição. A informação foi avançada pelo jornal Notícias, que acrescenta que os últimos foram validados pelo Tribunal Supremo moçambicano na sexta-feira passada (16.10), apesar de já terem sido enviados a 03 de junho para os EUA.

O objetivo é julgar em Moçambique os ex-banqueiros Andrew James Pearse, Detelina Subveva e Surjan Singh, bem como Jean Boustani, representante da empresa de construção naval.

Os EUA promoveram em 2019 um julgamento do caso das dívidas ocultas pelo facto de o esquema financeiro ter passado pelo país e Boustani acabou ilibado. Os três ex-banqueiros deram-se como culpados de conspirar para a lavagem de dinheiro e aguardam pelo veredito do juiz.

As dívidas ocultas estão relacionadas com empréstimos no valor de 2,2 mil milhões de dólares (cerca de dois mil milhões de euros) contraídos entre 2013 e 2014 junto das filiais britânicas dos bancos de investimentos Credit Suisse e VTB pelas empresas estatais moçambicanas Proindicus, Ematum e MAM.

Os empréstimos foram secretamente avalizados pelo Governo da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO, partido no poder desde a independência), liderado por Armando Guebuza, sem o conhecimento do parlamento e do Tribunal Administrativo.

Há 19 arguidos (18 dos quais detidos) no processo principal em Moçambique, entre os quais sobressaem figuras do círculo próximo do ex-Presidente, tais como um dos filhos, Ndambi Guebuza, e a sua secretária pessoal, Inês Moaine.

O Ministério Público moçambicano acusa os arguidos de associação criminosa, chantagem, corrupção passiva, peculato, abuso de cargo ou função, violação de regras de gestão e falsificação de documentos, ainda sem julgamento marcado.

Os quatro estrangeiros que a PGR quer em Moçambique são arguidos num processo autónomo.