O comandante-geral da Polícia da República de Moçambique, Bernardino Rafael, reconhece que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) estacionadas em Palma, um dos distritos afetados pela insurgência em Cabo Delgado, enfrentam dificuldades no teatro de operações.

O chefe da PRM esteve na terça-feira, 22, no distrito de Palma, onde trablhou com algumas sub-unidades das FDS ali estacionadas e referiu que a direção do batalhão “relatou, exaustivamente, as dificuldades que enfrentam”.

Bernardino Rafael afirmou que apesar das dificuldades tudo deve ser feito para a reposição da ordem, tranquilidade e sossego nas comunidades afectadas pelas acções dos insurgentes.

“A população não deve deslocar-se das suas zonas de residência”, enfatizou o comandante-geral, que também esteve no distrito de Macomia, que também tem sido alvo de ataques dos insurgentes.

FDS com poucos meios

Entretanto, o analista político Tomás Rondinho, diz que as declarações do comandante-geral da polícia confirmam relatos de que as FDS no norte de Cabo Delgado enfrentam dificuldades na sua missão de combater os insurgentes.

“As Forças de Defesa e Segurança estão a lutar, com poucos meios, contra grupos extremamente perigosos”, considera aquele analista.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, diz que pelo menos mil pessoas foram mortas e outras 250 mil encontram-se deslocadas das suas zonas de origem, por causa dos ataques armados em Cabo Delgado.

Na quarta-feira, as FDS recuperaram a ilha Vamizi, que tinha sido ocupada pelos insurgentes.

Igualmente, foram recuperadas três ilhas turísticas que também estavam sob controlo dos terroristas.

“Palma está livre, nós testemunhamos isso, as pessoas levam uma vida normal; há zonas que nós consideramos propensas a incursões dos terroristas, mas temos estado a controlar”, afirmou Bernardino, sem, no entanto, se referir a Mocímboa da Praia.

Ele reconheceu, por outro lado, que prevalece o desafio do restabelecimento efectivo da circulação de pessoas e bens nas regiões centro e norte de Cabo Delgado, interrompida na sequência dos ataques da insurgência.