O ex-presidente de Moçambique Armando Guebuza será ouvido, em data ainda não determinada, pela Procuradoria Geral da Republica (PGR) num processo relacionado com o escândalo das dívidas ocultas.

O diario “O Pais” de Maputo escreve que Guebuza prometeu prestar os esclarecimentos solicitados, mas reclamou que está a ser vítima de uma tentativa de assassinato politico”.

O jornal cita Guebuza afirmando que “iremos prestar os esclarecimentos solicitados, sem no entanto, deixar ficar a nossa desconfiança em relação à constante e desconforme actuação da Procuradoria-Geral da República”.

Guebuza disse ainda que “temos razões de sobra para a falta de confiança no nosso Ministério Público”.

Tal desconfiança deriva, entre outros factores, da citação do seu nome num processo que a PGR move em Londres, também relativo às dividas ocultas, no qual o ex-estadista deve ser ouvido.

Quanto a isso, Guebuza disse que “é estranho que a nossa Procuradoria-Geral da República tenha preferido atravessar a África sub-sahariana, o deserto de Sahara, o Mar Mediterrâneo, a Europa continental e o Canal da Mancha, para obter esclarecimentos de um cidadão nacional e aqui residente”.

O pedido da PGR no sentido de ouvir Guebuza foi apreciado, esta semana, pelo Conselho de Estado, num encontro marcado pelo presidente Filipe Nyusi. Além do próprio Guebuza, fazem parte deste órgão personalidade como que Graça Machel, Alberto Chipande, Alberto Vaquina e Daviz Simango.

As chamadas dívidas ocultas, de pelo menos dois mil milhões de dólares, foram contratadas no segundo e último mandato de Armando Guebuza.

Foi argumento dessa contratação – ao Credit Suisse e VTB da Rússia – a realização de ambiciosos projectos de pesca de atum e proteção costeira, o que veio a ser denunciado como esquema de enriquecimento ilícito envolvendo membros e funcionários do Governo e seus familiares, banqueiros e empresas de fornecimento de serviços navais.

O filho mais velho de Armando Guebuza, Ndambi Guebuza, e a sua ex-secretária particular, Inês Moiane, estão detidos em Maputo, alegadamente por terem beneficiado do esquema.

E na África do Sul, continua detido, desde 2018, o ex-ministro das Finanças, Manuel Chang, procurado pelos Estados Unidos para responder a crimes financeiros relacionados com a movimentação de fundos resultantes das referidas dívidas.