A presidente da Autoridade Tributária de Moçambique, Amélia Muendane, diz ter a certeza de que a economia moçambicana tem capacidade de se auto-financiar.

Ela acrescenta ser fundamental investir para que se possa “ter um país autónomo, capaz de financiar o seu próprio crescimento e o seu orçamento”.

Entretanto, analistas dizem que a economia moçambicana tem sérios problemas estruturais que precisam de ser resolvidos para que possa crescer de forma sustentável e rejeitam a ideia de que a mesma tem capacidade de se auto-financiar.

Amélia Muendane, que falava à rádio pública RM, avançou que os últimos cinco anos demonstraram essa capacidade,”porque funcionámos sem apoio externo, o que significa que Moçambique pode andar com os seus próprios pés”.

Refira-se que vários doadores internacionais suspenderam os seus programas de apoio ao Orçamento de Estado, na sequência da descoberta das chamadas “dívidas ocultas”.

Entretanto, vários economistas consideram que os últimos anos têm sido bastante difíceis para os moçambicanos “porque o custo de vida é insustentável, não só para a população vulnerável como também as classes média e alta”.

Problemas estruturais

Para o economista Constantino Marrengula, a economia moçambicana tem sérios problemas estruturais que precisam de ser resolvidos para que possa continuar a crescer de forma sustentável.

“É preciso, por exemplo, tornar inclusivo todo o processo de crescimento da economia”, defende Marrengula, para quem é necessário fazer com que o processo de alocação de fatores de produção seja o menos violento para as comunidades desfavorecidas.

Por seu lado, o analista Fernando Lima, presidente do Conselho de Administração do grupo privado de comunicação social Mediacoop, proprietário do jornal Savana, diz ser necessário resolver o conflito em Cabo Delgado para que a economia cresça de forma sustentável.

Lima afirma haver uma percepção errada sobre o que se passa em Cabo Delgado e realça que que enquanto o problema for eminentemente militar “não vamos a nenhum lado”.

Ele anotou que “aquilo que nós estamos a assistir em Cabo Delgado, não é a solução, é uma cada maior dificuldade, mesmo no plano militar, das Forças de Defesa e Segurança em enfrentar a ameaça”.