Internacional Rede Aga Khan foca-se no apoio à sociedade civil em Cabo Delgado

Rede Aga Khan foca-se no apoio à sociedade civil em Cabo Delgado


A Fundação Aga Khan está a concentrar-se no apoio à sociedade civil e comunidades de Cabo Delgado, norte de Moçambique, por forma a colmatar as dificuldades em estar presente na região devido à covid-19 e ataques armados.

“Neste momento, devido à covid-19 e à situação de segurança, não conseguimos estar presentes junto das comunidades. Contudo, estamos a fazer um trabalho através das raízes plantadas há 19 anos: uma das raízes é a sociedade civil”, afirmou Rui Carimo, adjunto do representante diplomático da Rede Aga Khan.

Por outro lado, há apoio às autoridades locais – distritos, administradores e governo provincial – que permite “de forma indireta dar resposta às necessidades da população”.

“Estamos à espera que a situação de saúde e de segurança [em conformidade] possa ser assegurada para podermos estar presentes a apoiar as comunidades”, referiu Rui Carimo.

Entre as marcas da Rede de Desenvolvimento Aga Khan (AKDN, sigla inglesa) na região está o Instituto Agrário de Bilibiza, gerido pela AKDN na sequência de um acordo assinado com o Governo moçambicano em 2014 e que tem estado a introduzir novas técnicas agrícolas, além de realizar projetos de infraestruturas.

O instituto foi alvo de um ataque de grupos armados responsáveis pela violência armada em Cabo Delgado a 29 de janeiro, no mesmo dia em que foi atacada a povoação de Bilibiza, localizada no distrito de Quissanga, um dos mais afetados pela violência armada.

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“Não temos ideia concreta do impacto da destruição porque por razões óbvias não podemos lá voltar, mas pelos relatos da comunidade sabemos que houve destruição e saque”, disse Rui Carimo.

O Instituto contava com mais de 350 alunos, alguns em regime interno, residindo no recinto educativo, tendo sido encontradas soluções deslocando-os para outras instituições de ensino na sequência do ataque e suspensão das aulas, em janeiro.

Segundo Rui Carimo, a Fundação Aga Khan está em Cabo Delgado há quase duas décadas, apoiando vários projetos em setores como agricultura, segurança alimentar ou saúde, entre outros.

Cabo Delgado, província onde avança o maior investimento privado de África para exploração de gás natural, está sob ataque desde outubro de 2017 por insurgentes, classificados desde o início do ano pelas autoridades moçambicanas e internacionais como uma ameaça terrorista.

As incursões de grupos armados nos últimos dois anos e meio naquela província já provocaram a morte de, pelo menos, 700 pessoas.

A capital provincial (Pemba) tem sido o principal refúgio para as pessoas provenientes dos distritos afetados, localizados mais a norte da província, mas há quem prefira fugir para outros lugares, incluindo Nampula, província vizinha.

O número de deslocados internos devido à violência no norte de Moçambique duplicou desde março e já ascende a 250.000 pessoas, segundo a mais recente informação do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, sigla inglesa).

Moçambique tem um total acumulado de 1.268 casos de infeção pelo novo coronavírus, com nove mortos e 373 recuperados.

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