Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) baleou mortalmente um jovem de 27 anos no município da Matola, província de Maputo, alegadamente por ter sido encontrado a divertir-se numa barraca com amigos, o que o suposto homicida entendeu ser uma violação do Decreto Presidencial que estabelece o Estado de Emergência para a prevenção da COVID-19.

A vítima, de acordo com a Polícia, estava a consumir bebidas alcoólicas numa barraca e envolveu-se numa discussão com os agentes da PRM, o que a família desmente.

Segundo relatos da família, o crime aconteceu na noite do último domingo 26. O malogrado foi interpelado numa das barracas do mercado “Jetmane”, no bairro Fomento, com um grupo de amigos.

Um dos agentes da PRM, com menos de dois anos na corporação, sacou uma arma de fogo e alvejou mortalmente o cidadão. A cápsula da bala mantinha-se ainda no local da ocorrência até ao fecho desta edição.

Ainda de acordo com a família da vítima, houve tentativa de ocultar o corpo do finado. O tio do malogrado, Paulo Sebastião, vivia com o sobrinho no bairro da Matola “H”, desde 2012. Contou ao “O País” que depois de balear o seu familiar, os agentes apoderaram-se do seu telemóvel, com o qual telefonaram para um dos parentes no sentido de se apresentar à esquadra, onde se comunicou a morte de Jaime.

Paulo Sebastião disse ainda que os agentes da Lei e ordem alegaram também que Jaime tentou arrancar arma de fogo a um dos polícias.

O primo da vítima, Nelson José, não acredita na verão da PRM e considera não fazer sentido que o seu parente tenha tentado desarmar um dos polícias. “Eles devem contar-nos a verdade” sobre o que “de facto aconteceu porque nos até aqui não sabemos”.

O jovem morto pela Polícia trabalhava, há seis anos, para Sónia Manjate, que não encontra razões para o baleamento. O rapaz “não tinha muitas amizades” e a mulher acusou a Polícia de “tentativa de ocultação do corpo”.
O Comando Provincial da PRM em Maputo confirmou que um membro, não escalado para trabalhar no dia do acidente, matou um jovem.

Juarce Martins, chefe das Relações Públicas e porta-voz da PRM na província de Maputo explicou que numa situação em que há aglomeração de pessoas é preciso, antes de agir, os agentes informarem aos seus superiores hierárquicos para melhor definição da estratégia de actuação e garantia de segurança dos próprios agentes. Este procedimento não aconteceu no fatídico dia.

“Os nossos agentes em patrulha envolveram-se numa luta corporal com cidadãos” que “alegadamente estavam a desobedecer” algumas medidas emanadas no âmbito do Estado de Emergência. “Nessa luta corporal acabaram (os polícias) alvejando mortalmente um indivíduo”, disse Juarce Martins, para quem o agente que efetuou o disparo “encontra-se detido. Foi aberto um processo-crime e outro disciplinar”.

A PRM está em coordenação com a família da vítima para arcar com as despesas do funeral, que pode acontecer em Mocuba, na província da Zambézia, de acordo com vontade manifesta pela família de Jaime.

É o segundo baleamento mortal que ocorre na autarquia da Matola, este mês.