O ex-jornalista Ivan Safronov, conselheiro do diretor da agência espacial russa Roscosmos, foi detido e acusado de traição. Os antigos colegas de Safronov, que se manifestaram em frente à sede dos serviços secretos, acreditam que se trata de uma resposta a artigos que escreveu para jornais de referência particularmente embaraçosos para o Exército.

Ninguém conseguia exclusivos como o Ivan e esse é o dever profissional de um jornalista, obter informações sensíveis e importantes. O seu trabalho pode ter deixado muitas pessoas zangadas.

Considerado um dos melhores jornalistas do país em questões militares e espaciais, trabalhou para os jornais de referência Vedomosti e Kommersant, do qual foi forçado a demitir-se em 2019.
Há um ano foi despedido devido a um artigo no qual sugeria que a presidente da câmara alta do Parlamento iria daixar o cargo. A totalidade da secção política do jornal despediu-se em protesto.
Um dos que se despediu para contestar o afastamento de Safronov foi Gleb Cherkasov, na época vice-diretor da redação do Kommersant.
O que está a acontecer é um sinal muito desagradável para a comunidade jornalística. Querem que deixemos de fazer jornalismo e que nos limitemos a reescrever comunicados de imprensa.
Os serviços decretos russos acusam Safronov de transmitir informações classificadas acerca da defesa e segurança nacional da Rússia a um país da NATO.
Os advogados do ex-jornalista dizem que o país mencionado pela acusação é a República Checa.
É acusado de traição, da transferência de informação sensível a serviços secretos estrangeiros. Tanto quanto sabemos, esta detenção não está ligada às atividades jornalísticas que executava antes.

A Roscosmos, por seu lado, sublinha que as acusações não estão ligadas à atividade de Safronov na agência espacial russa.

Se for considerado culpado, enfrenta uma pena de até 20 anos de prisão.

Ao mesmo tempo que os antigos colegas classificam as acusações de absurdas, o ex-jornalista de 30 anos de idade defende a inocência.