O representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Moçambique disse na quarta-feira (29) que a aposta das autoridades moçambicanas deve recair na protecção das camadas mais vulneráveis em detrimento da consolidação fiscal, face ao impacto da Covid-19.

Num contexto destes [de Covid-19], a consolidação fiscal não é a preocupação”, que “deve ser a protecção dos mais vulneráveis”, declarou Ari Aisen, falando numa conferência na Internet intitulada as “Perspectivas Económicas Regionais para a África subsaariana – Moçambique: Uma ameaça sem precedentes para o Desenvolvimento”.

Aisen referiu que as autoridades moçambicanas devem potenciar os mecanismos de proteção social existentes no país, visando assegurar o aumento de ajuda financeira às famílias mais atingidas pela pandemia.

O peso da informalidade da economia moçambicana e o impacto negativo da Covid-19 faz-nos acreditar que mais famílias ficaram numa situação de maior vulnerabilidade”, afirmou.

As autoridades moçambicanas, prosseguiu, devem encontrar esquemas mais eficientes de fazer chegar o subsídio de pobreza e outras formas de apoio social às pessoas que mais precisam.

O representante do FMI observou que o investimento público na proteção social em Moçambique é proporcionalmente superior ao nível de cobertura, o que dá margem para o aumento do apoio aos mais carenciadas.

A análise dos investimentos direccionados à proteção social mostra que há uma subida que não tem sido acompanhada pelo aumento da cobertura”, frisou Ari Aisen.

Na atual conjuntura marcada pela pandemia de Covid-19, continuou o responsável, o acesso aos apoios sociais deve ser desburocratizado para alargar os benefícios a mais pessoas.

A maior parte dos mais carenciados não têm conta bancária e não têm documentos de identificação, mas têm telemóvel e têm conta móvel, estes meios podem ser explorados para fazer chegar mais ajuda”, destacou.

Em Moçambique não existe subsídio de desemprego, mas há subsídio de pobreza, geralmente pago a pessoas idosas nas zonas rurais.

Moçambique registou, nas últimas 24 horas, mais 28 casos positivos de Covid-19, elevando o total para 1.748, mantendo-se com 11 mortos, anunciou esta quarta-feira o Ministério da Saúde.