O Fórum das Organizações da Sociedade Civil na província de Cabo Delgado (FOCADE) manifestou a sua preocupação e descontentamento em relação à decisão do governo em designar Maputo como local para a formação inicial na Academia de Gás de Moçambique.
A Academia de Gás de Moçambique, que irá iniciar a formação de 260 jovens técnicos seleccionados para frequentar cursos, foi criada numa iniciativa da empresa francesa de petróleo e gás, Total Energies, em colaboração com o Ministério da Educação, o Instituto Industrial da Matola e o Instituto Comercial de Maputo.
O término dos cursos será seguido por uma formação prática nas instalações do Projecto de Gás de Moçambique em Afungi, no distrito de Palma, na província de Cabo Delgado. Este projecto faz parte dos programas de formação profissional técnica e das iniciativas de conteúdo local promovidas pela Total Energies, que lidera o projecto orçado em cerca de 20 mil milhões de dólares.
Após um parêntese nas operações em 2021 devido a um ataque terrorista significativo contra a cidade de Palma, a empresa retomou o projecto com a melhoria das condições de segurança.
Em comunicado, o FOCADE sublinha a preocupação de que a fase inicial da formação ocorra fora da província onde o projecto está localizado, considerando que Cabo Delgado, e especialmente a cidade de Pemba, possui instituições, infraestruturas e capacidade técnica para acolher a iniciativa.
A organização questiona a verdadeira extensão do compromisso com o conteúdo local e a inclusão das comunidades anfitriãs. “O fortalecimento da capacidade local não deve limitar-se à contratação de trabalhadores moçambicanos; é essencial que as oportunidades de formação, transferência de conhecimento e fortalecimento institucional beneficiem directamente as regiões onde são implementados os grandes investimentos”, refere o comunicado.
O documento destaca que iniciativas desta magnitude também devem contribuir para o fortalecimento das instituições de formação existentes em Cabo Delgado, permitindo que a província desenvolva uma base técnica capaz de responder às necessidades actuais e futuras da indústria do gás.
“Realizar esta formação em Maputo representa uma oportunidade perdida de impulsionar a economia local de Cabo Delgado, estimular a utilização dos serviços provinciais e aproximar os jovens da realidade do projeto que, em última análise, está a gerar estas oportunidades”, afirma a nota.
O FOCADE apela ainda ao governo e à Total Energies que reavaliem as futuras fases do programa, garantindo uma maior descentralização das oportunidades de formação e priorizando Cabo Delgado como um local estratégico para o desenvolvimento de competências ligadas ao projeto.
“A província que sofre os impactos, desafios e expectativas associadas a grandes investimentos deve também ser um centro de conhecimento, formação e oportunidades. O conteúdo local deve ser uma realidade vivida pelas comunidades anfitriãs, não apenas proclamado como um princípio”, conclui o comunicado.
















