A Organização Mundial de Saúde (OMS) vai retomar os testes com hidroxicloroquina para Covid-19. O anúncio foi feito esta quarta-feira 03, pela Organização, uma semana e meia depois de anunciar a suspensão dos testes com o medicamento, para que os dados sobre a segurança do remédio fossem avaliados.
A decisão foi tomada depois que um estudo publicado na revista científica The Lancet que alertou sobre os riscos da cloroquina, indicando um aumento da mortalidade nos pacientes que receberam o tratamento.
Segundo a agência, hoje não existem provas ou evidências de que o tratamento reduza a mortalidade em pessoas com o vírus e nem que proteja aqueles que não foram infectados.
Michael Ryan, chefe de operações da OMS, pediu ainda cautela em relação às conclusões sobre o impacto do tratamento. Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, confirmou que não existem provas de que um tratamento reduza a mortalidade das pessoas contaminadas pela COVID-19.
“Temos de ser cautelosos. Quando suspendemos, era com base em aumento de mortalidade descrito num estudo”, disse.
“Agora, temos confiança de que não vimos diferenças de mortalidade e recomendou-se que os testes podem continuar”, afirmou.
O diretor da organização, Tedros Adhanon, esclarece que foi dada ordem para manter os testes de todos os medicamentos, incluindo a hidroxicloroquina. “Com base nos dados de mortalidade disponíveis, os membros do comitê disseram que não existem razões para modificar o protocolo de testes”, disse o diretor-geral da OMS.
As dúvidas sobre as conclusões de falta de eficácia do medicamento foram levantadas pela revista científica que publicou o artigo da polémica. A The Lancet questiona agora o relatório da Surgisphere, a empresa norte-americana que esteve na origem da análise que suspendeu os testes.
Donald Trump apresentou o medicamento como panaceia para o novo coronavírus; Jair Bolsonaro deu ordens para que fosse utilizado de forma massificada no tratamento da doença no Brasil.
Depois das dúvidas levantadas, o uso passou a ser desaconselhado pela OMS. Várias autoridades nacionais, como a Direcção geral de saúde em Portugal suspenderam a utilização no tratamento para a Covid-19.
Os testes clínicos estão a ser feitos em 3500 pacientes de 35 países.
















