A Polícia da República de Moçambique (PRM) anunciou esta sexta-feira o desmantelamento de uma “base de fornecimento logístico” dos grupos armados que têm protagonizado ataques na província de Cabo Delgado, no norte do país.

Durante a operação, as Forças de Defesa e Segurança neutralizaram um número não divulgado de insurgentes e apreenderam vários bens usados durante as suas incursões, disse esta sexta-feira à Lusa fonte da corporação naquela província do norte de Moçambique, sem avançar mais detalhes.

Em declarações ao jornal Notícias, o diretor de Operações do Comando Geral da PRM, Victor Novela, disse que a operação ocorreu esta semana e, além das neutralizações, foram apreendidas mais de 50 catanas, armas de fogo (em número não especificado), fardamentos e motorizadas.

Foi também apreendida uma cama militar que, pelas características, pertence ao exército de um país da região dos Grandes Lagos. Uma das motorizadas apreendidas tinha uma chapa de matrícula da Tanzânia [país que faz fronteira a norte com Moçambique]”, acrescentou Victor Novela.

O diretor de Operações do Comando Geral da PRM avançou ainda que está em curso uma investigação para aferir, com as autoridades tanzanianas, a legalidade do registo da matrícula para, posteriormente, “descobrir a ligação com o grupo”.

Fonte de uma organização humanitária com representações em vários distritos de Cabo Delgado, consultada hoje pela Lusa, descreve que a segurança no Norte daquela província parece ter sido reforçada.

Nós que estamos aqui sentimos que, de facto, está a fazer-se um trabalho muito forte. Há uma ofensiva muito forte da polícia. [os insurgentes] estão a ser perseguidos”, observou.

Cabo Delgado, província onde avança o maior investimento privado de África para exploração de gás natural, está sob ataque desde outubro de 2017 por insurgentes, classificados desde o início do ano pelas autoridades moçambicanas e internacionais como uma ameaça terrorista.

Em dois anos e meio de conflito naquela província do Norte de Moçambique, estima-se que já tenham morrido, pelo menos, 600 pessoas e que cerca de 200 mil já tenham sido afetadas, sendo obrigadas a procurar refúgio em lugares mais seguros