Internacional África quer investigação ao “racismo sistémico” e violência policial

África quer investigação ao “racismo sistémico” e violência policial

Os Estados africanos estão a fazer campanha para que o Conselho dos Direitos Humanos da ONU lance uma investigação sobre o “racismo sistémico” e a violência policial nos Estados Unidos e noutros países, de acordo com um projeto de resolução.

Otexto do projeto, consultado hoje pela agência AFP, está a ser distribuído entre diplomatas para consulta, antes de um debate urgente sobre o assunto no Conselho dos Direitos Humanos, que se realiza na quarta-feira em Genebra.

O debate teve como pano de fundo os protestos que abalaram os Estados Unidos desde a morte em Minneapolis de George Floyd, um homem negro de quarenta anos que foi asfixiado por um polícia branco em 25 de maio.

No projeto de resolução, o grupo de países africanos condena veementemente “as práticas raciais discriminatórias e violentas das agências de aplicação da lei contra africanos e pessoas de origem africana e o racismo estrutural endémico no sistema de justiça penal nos Estados Unidos e noutras partes do mundo”.

Exige a criação de uma comissão de inquérito internacional independente, uma estrutura de alto nível normalmente reservada para crises graves, como o conflito sírio. O objetivo é “levar à justiça os autores” de atos de violência.

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Os investigadores da comissão deverão igualmente examinar “as respostas dos Governos a nível federal, estatal e local a manifestações pacíficas, incluindo o alegado uso excessivo da força contra manifestantes, transeuntes e jornalistas”.

As conclusões desta comissão deverão ser divulgadas no prazo de um ano.

projeto de resolução deverá ser aprovado pelo menos 24 horas antes da votação pelos 47 membros do Conselho, que deverá ter lugar após um debate convocado com urgência a partir das 15:00 (13:00 em Lisboa) de quarta-feira.

O debate foi solicitado na semana passada pelo embaixador do Burkina Faso junto das Nações Unidas, em nome de 54 países africanos e aceite na segunda-feira por ocasião do reinício da 43.ª sessão do Conselho, que foi interrompida em março devido à nova pandemia da covid-19.

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