Pelo menos 40 pessoas tiveram de receber assistência hospitalar após mais um dia de manifestações contra as elites políticas em Beirute, capital do Líbano. A Cruz Vermelha revelou ter assistido outras 65 logo no local.
A polícia antimotim recorreu a gás lacrimogéneo e canhões de água para tentar reprimir a revolta dos manifestantes, que começaram a atirar pedras e pequenos explosivos contra os agentes mobilizados para defender o Parlamento libanês.

Ao mesmo tempo, outros manifestantes removiam as barreiras metálicas colocadas na zona e também começaram a atirá-las contra as forças de segurança.

Sem governo desde finais de Outubro, quando Saad Hariri se demitiu do cargo de primeiro-ministro, o Líbano vive há três meses em turbulência.

Têm sido recorrentes as manifestações e nem a demissão do chefe de Governo acalmou a revolta de uma população sob pressão numa economia há muito em crise, com uma moeda em desvalorização e excessivamente dependente da importação de produtos básicos.

Os bancos libaneses também já começaram a impor controlos informais de capital, limitando o levantamento de dinheiro em dólares ou noutras divisas estrangeiras.

A decisão levou alguns manifestantes a praticar atos de vandalismo na semana passada contra algumas instituições bancárias.

Os manifestantes responsabilizam as elites políticas por uma dívida pública de quase 80 mil milhões de euros, um valor equivalentes a mais de 150 por cento do PIB libanês.

O primeiro-ministro designado Hassan Diab teve previsto para sexta-feira a apresentação de um novo executivo, mas o anúncio acabou por ser cancelado devido atrito entre as diversas facções políticas envolvidas.