A tempestade tropical severa “Belna” atingiu, por volta das 8.00 horas de Domingo (08), o nível de ciclone tropical, com ventos ciclónicos a alcançarem os 130 quilómetros por hora, num raio máximo de 30 quilómetros.

Segundo o Instituto de Meteorologia de Moçambique (INAM), o ciclone tropical “Belna” “intensifica-se gradualmente no extremo norte do Canal de Moçambique e a sua trajectória tende para o norte de Madagáscar”.

Assim, o INAM recomenda à navegação marítima nas áreas de risco para a tomada de medidas preventivas devido à forte agitação do estado do mar que pode ser causada pelos ventos fortes.
À hora da transformação em ciclone tropical o centro da tempestade estava localizado a 9,6 graus Sul de latitude e 47.5 graus Este de longitude.

Moçambique precisa de mais investimento nos sistemas de previsão climática

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) defende uma maior aposta nos sistemas e instrumentos de observação climática, alertando para o país contra desastres naturais.

“A dimensão do país requer mais investimentos na área dos sistemas de observação climática, uma vez que a densidade existente não responde a 80% do país”, disse Mussa Mustafá, director-geral-adjunto do INAM.

Aquele responsável falava num debate sobre alterações climáticas, havido recentemente, em Maputo.

Para Mussa Mustafá, a exposição do país a desastres naturais diversificados obriga a um estudo detalhado desses fenómenos, o que facilitaria a previsão e evitaria danos  decorrentes das referidas intemperies.

“Há zonas com chuvas muito intensas e, ao mesmo tempo, há outras semi-áridas. É uma diversidade de fenómenos”, justificou.

Outro desafio referido por Mussa Mustafá está ligado à circulação de informação em línguas locais, tendo em conta que a maior parte dos moçambicanos não tem o português como primeira língua.

“Moçambique é um dos poucos países com muitas línguas. Temos o português como oficial, mas parece que em cada 200 km se fala uma língua diferente”, observou Mussa Mustafá, acrescentando que é fundamental sensibilizar atempadamente as comunidades sobre os impactos dos desastres naturais.

“A informação pode ser enviada, mas as comunidades devem reagir para que tenha o efeito desejado. A questão é crucial”, frisou a fonte, acrescentando que a aposta da entidade agora é criar mecanismos de disseminação, em línguas locais, para que a mensagem de alerta seja percebida e acatada pelas populações.

Entre os meses de Novembro e Abril, Moçambique é ciclicamente atingido por ventos ciclónicos oriundos do Índico e por cheias com origem nas bacias hidrográficas da África Austral.

No total, durante o período chuvoso 2018/2019, 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth que devastaram o centro e o norte do país em Março e Abril, destruindo também várias infra-estruturas.

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