O secretário norte-americano da Defesa, Mark Esper, demitiu, no domingo, o chefe de Estado da Marinha por este ter proposto um acordo com a Casa Branca para resolver a questão de um fuzileiro condecorado pelo Presidente Donald Trump.
Mark Esper pediu a demissão do chefe de Estado-Maior da Marinha, Richard Spencer, por perda de confiança decorrente da sua “falta de sinceridade na condução de conversações com a Casa Branca para o tratamento do caso do fuzileiro Eddie Gallagher”, indicou o porta-voz do Pentágono, Jonathan Hoffman, através de um comunicado citado pela agência Associated Press.
Mark Esper está “profundamente perturbado com este comportamento”, acrescenta o comunicado.
A demissão constitui um desenvolvimento dramático numa controvérsia em rápida evolução e politicamente densa, envolvendo um oficial superior do corpo de elite da Marinha norte-americana, Edward Gallagher.
Na passada quarta-feira, a Marinha norte-americana notificou Gallagher de que enfrentaria um conselho militar para determinar se seria autorizado a permanecer nos SEAL, a força de elite da Marinha dos Estados Unidos.
Gallagher foi absolvido de uma acusação de homicídio durante o período em que encontrava deslocado no Iraque em 2017 pela morte por esfaqueamento de um militante do Estado Islâmico em cativeiro, mas um júri militar condenou-o por posar com o cadáver. Gallagher foi nessa altura despromovido de oficial superior para oficial subalterno.
Donald Trump devolveu este mês a Edward Gallagher a sua anterior patente.
No comunicado divulgado por Hoffman, Mark Esper disse que perdeu a “confiança” em Spencer depois de saber que o chefe de Estado-Maior da Marinha propôs “privadamente” à Casa Branca que permitisse a aposentação de Gallagher no seu posto anterior e sem que perdesse o estatuto de soldado de elite.
O secretário norte-americano da Defesa revelou ainda que em conversações mantidas com Spencer a propósito do caso Gallagher nunca o seu chefe de Estado-Maior o informou da proposta à Casa Branca, pelo que o acusou de “falta de franqueza”.
De acordo com a AP, um porta-voz de Spencer esteve indisponível para comentar a decisão do secretário da Defesa.
Em relação a Gallagher, Esper determinou que lhe fosse permitida a passagem à reserva no final deste mês, e que fosse cancelado o conselho militar que deveria rever o caso, previsto para começar no próximo dia 2 de Dezembro, anunciou ainda Hoffman.
Por determinação de Esper, Gallagher poderá reformar-se como SEAL, mantendo o seu posto actual, disse o porta-voz. Hoffman acrescentou que o secretário da Defesa concluiu que, na actual circunstância, Gallagher não pode receber a repreensão merecida por parte da Marinha, pelo que foi autorizado a passar à reserva.
Num testemunho escrito, Esper fez saber em relação ao seu chefe de Estado-Maior que está “profundamente transtornado com a sua conduta”. “Infelizmente, como resultado, determinei que o chefe de Estado-Maior Spencer deixou de ter a minha confiança para se manter no cargo. Desejo felicidades ao Richard”.
JN
















