Doze estudantes da Escola Secundária Josina Machel, em Maputo, foram detidos por posse de guiões de correcção de exames da 10ª classe. Nove dos implicados foram soltos por falta de provas do seu envolvimento na fraude.

Os alunos em alusão, detidos na quarta-feira (20), têm idades compreendidas entre 20 e 40 anos. Os que permanecem detidos encontram-se na segunda esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM) na capital do país.

Os estudantes estavam nos arredores da Escola Secundária Josina Machel a trocar mensagens, por via de telemóveis, sobre conteúdos das secções de ciências e letras.

Uma das alunas considerada mentora da fraude responde pelo nome de Lurdes Cumbe e frequentava a 11ª classe.

Segundo explicou, ela teve acesso aos exames “através de uma amiga”. Esta contou, por sua vez que recebeu as provas de um tio que supostamente trabalha no Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, com orientações para vender aos colegas interessados.

Cada exame corrigido devia ser vendido a 600 meticais e 500 meticais sem correcção.

“Cheguei na escola e fiquei no portão de frente onde encontrei os meus colegas. De repente chegaram polícias e exigiram nos telefones”, explicou uma estudante de 24 anos, sem entanto esclarecer como é que os agentes da lei e ordem tiveram conhecimento da existência de exames já corrigidos.

“Eu estava na sala de exame e fui chamada para fora. Quando saí os colegas já estavam algemados e fui levada com eles para a esquadra. Recebi o exame de um colega” que também “recebeu de uma outra pessoa”, contou outra estudante da Escola Secundária Josina Machel.

O porta-voz do Comando da PRM na cidade de Maputo, Leonel Muchina, disse que os alunos foram surpreendidos com guiões de correcção de exames durante a patrulha. A Polícia apercebeu-se de uma movimentação anormal defronte daquele estabelecimento de ensino. “Conseguimos encontrar alguns indivíduos” a tentarem vender “vários guiões de correcção de exame da 10ª classe das secções de ciência e letras”.

Os exames iniciaram esta semana em todo o país e este é o primeiro caso de fraude académica publicamente reportado pelas autoridades.

O País