Cinco pessoas morreram no incêndio de uma fábrica de confecção de vestuário alvo de pilhagens no norte de Santiago, elevando para sete o número de mortos desde o início dos violentos protestos no Chile.

“Foram detectados cinco corpos no interior da fábrica devido ao incêndio”, anunciou aos media locais Diego Velasquez, comandante dos bombeiros de Santiago.

Duas pessoas já tinham perdido a vida na noite de sábado para domingo no incêndio de um supermercado que também estava a ser saqueado por populares no sul da capital.

As manifestações decorrem desde sexta-feira em protesto contra um aumento (entre 800 e 830 pesos, cerca de 1,04 euros) do preço dos bilhetes de metro em Santiago, que possui a rede mais longa (140 quilómetros) e mais moderna da América do sul, e que transporta diariamente cerca de três milhões de passageiros.

O presidente Sebastián Piñera decretou o estado de emergência para 15 dias na capital, com sete milhões de habitantes, mas no dia seguinte, no sábado, recuou e suspendeu o aumento. Mas as manifestações e os confrontos prosseguiram, também devido à degradação das condições sociais e às desigualdades neste país, onde as áreas da saúde e educação estão quase totalmente controladas pelo sector privado.

Dezenas de supermercados, veículos e estações de serviço foram saqueados ou incendiados. Os autocarros e as estações de metro registaram importantes danos. Segundo o Governo, 78 estações de metro registam estragos, e algumas foram totalmente destruídas.

Os prejuízos no metro foram avaliados em mais de 300 milhões de dólares (268 milhões de euros) e o regresso à normalidade em certos percursos deverá prolongar-se “por meses”, considerou Louis de Grange, presidente da Companhia nacional de transportes públicos.

No aeroporto de Santiago foram cancelados ou reprogramados numerosos voos, também devido às dificuldades dos trabalhadores em garantir meios de transporte.

Os estudantes apelaram a novas manifestações na segunda-feira. Através de palavras de ordem como “Fim aos abusos” ou “O Chile levantou-se”, difundidas nas redes sociais, o país enfrenta uma das piores crises sociais.

Segundo um balanço das autoridades, já foram detidas pelo menos 716 pessoas em todo o país.

O cessar-fogo permanece em vigor em cinco regiões, incluindo a capital Santiago, e foram mobilizados mais de 10.000 polícias e militares, precisou um responsável militar.

Piñera deverá reunir os seus ministros e outros responsáveis para efectuar um balanço da situação. Anunciou ainda um diálogo “amplo e transversal” para tentar responder às reivindicações populares.

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