Um adolescente saudita preso há mais de quatro anos pode ser executado na Arábia Saudita por actos que teria cometido quando tinha 10 anos de idade, alertam grupos de direitos humanos.

Uma sentença de morte no caso de Murtaja Qureiris, hoje com 18 anos, será o que os grupos qualificam como “a mais atroz violação das protecções legais para as crianças em todo o mundo”.

“Há poucas violações mais graves da lei internacional do que a execução de uma criança”, afirmou Maya Foa, directora do Reprieve, um dos grupos de direitos humanos. Murtaja foi preso em Setembro de 2014, quando tinha 13 anos. Está detido desde então. As acusações contra ele, algumas de três anos antes da sua prisão, estão relacionadas com sua participação em protestos contra o governo, posse de arma de fogo e participação em uma “organização terrorista”.

A rede CNN publicou vídeos de Murtaja liderando uma multidão de crianças numa manifestação com bicicletas em 2011. Ele tinha 10 anos. Era o auge das rebeliões da Primavera Árabe que tomaram conta do Oriente Médio. Os protestos envolveram grande parte das províncias xiitas a leste da Arábia Saudita, que com frequência terminavam em banhos de sangue e prisões em massa.

Murtaja é membro da minoria xiita do país e vem de uma família de ativistas da província de Qatif, situada na área xiita ao sul da Arábia Saudita. Seu irmão mais velho, Ali Qureiris, foi morto em 2011, quando participava de um protesto. A monarquia saudita adopta uma versão conservadora de islamismo conhecida como wahabismo, que está arraigada nas normas sociais do país, no governo e no sistema judiciário. A administração saudita é frequentemente acusada de perseguir os xiitas.

Metrópoles