Rachas, fissuras e sinais evidentes de fragilidade nas fundações, são algumas das características da maior parte dos prédios na Cidade de Maputo. A falta de manutenção é apontada como a principal causa. A situação é tão grave que há prédios que correm o risco de desabar a qualquer momento.

Quem vê a parte frontal, pode até ficar com a impressão de que está tudo bem, mas é no interior e na parte traseira dos prédios onde a triste realidade se revela.

Exemplo disso, é o Alentejano, conjunto de três prédios, localizado ao longo da avenida Eduardo Mondlane, na cidade de Maputo. São nítidas as fissuras e rachas que dominam as paredes da infraestrutura, marcas que traduzem o avançado estado de degradação associado a falta de manutenção, a avaliar pela queda de algumas partes que compunham o edifício.

Morais da Cunha, chefe da comissão dos condóminos localizados na avenida 24 de Julho, conta “O País”, como tem sido gerir um prédio de 15 andares que além de apresentar rachas e fissuras, também enfrenta problemas de infiltração em alguns apartamentos.

O chefe da comissão dos condóminos diz que a falta de saneamento é um outro problema. O lixo é depositado em todo o lado sem observar nenhuma regra de higiene, há condutas com águas negras entupidas e fossas quebradas espalhando um mau cheiro.

Joana Massinga, moradora num dos apartamentos do prédio localizado no bairro da Malhangalene, conta que no passado sentiu-se obrigada a passar as noites na sala deixando o seu quarto, por conta da infiltração causada pelas vibrações das obras de um dos seus vizinhos.

O engenheiro de Construção civil explica que um prédio tem em média 50 anos de vida, mas isto depende de como ele é feito, usado e mantido pelos moradores.

A superlotação é apontada pelo especialista como um dos principais factores, que tem contribuído para a degradação de muitos prédios da capital do país.

Ciente da situação, o conselho autárquico de Maputo diz que está a trabalhar em coordenação, com a Ordem dos Engenheiros na identificação e avaliação dos edifícios que necessitam de intervenção urgente.

Outra preocupação da edilidade são os condóminos que ignoram o perigo e constroem anexos nos terraços. Trata-se de obras executadas, sem autorização das autoridades municipais.

A responsabilidade de garantir o saneamento e durabilidade dos edifícios é dos proprietários, entretanto não existe nenhuma postura municipal que sancione os que não cuidam dos edifícios.

O País