Nwamatibjana é um dos bairros em expansão, sem iluminação pública, na autarquia da Matola. Os moradores daquela área residencial estão a braços com a criminalidade violenta.

As mulheres são violadas sexualmente, são despojadas dos seus bens na via pública. Os homens sofrem agressões físicas. Os alunos, incluindo crianças, quando voltam da escola são arrancados os seus haveres, incluindo o material escolar. As residências são arrombadas e assaltadas em plena luz do dia.

Há duas semanas, duas pessoas morreram nas mãos de presumíveis bandidos. As vítimas foram uma criança e uma mulher. Além de matar, os bandidos saquearam bens.

Flávia Nhabete vive naquele bairro há sensivelmente 10 anos. A sua residência está muito próxima da paragem “Gemoc”, um ponto de embarque e desembarque de passageiros. Nas noites, ela ouve constantemente gritos de pessoas clamando pelo socorro. Ela disse que a situação já atingiu contornos alarmantes. “A partir das 19h00 ou 20h00 há pessoas que fiam à espera de quem voltam do serviço ou da escola para assaltar”.

Há um mês, uma mulher cujo nome omitimos, por razoes óbvias, foi surpreendida pelos supostos malfeitores, amarraram-lhe e arrancaram os pertences. “De repente, apareceu um jovem que me amarrou uma corda no pescoço e puxou-me até algumas bancas onde se vende pão. Ele levou a minha bolsa, o meu telefone e fugiu”.

Em Nwamatibjana há muitas casas não habitadas, que alegadamente servem de esconderijo para homens de má-fé. São casas com cobertura, mas sem portas e janelas, traduzindo-se em albergues preferenciais para os amigos do alheio.

Em Nwamatibjana os bandidos impõem-se, ditando uma espécie de recolher obrigatório ao anoitecer. Um grupo de três jovens de sexo feminino diz ter receio de ir a igreja por temer pela vida.

Sem iluminação pública, os malfeitores têm terreno fértil para actuar. Para os moradores daquela zona, as esquadras localizam-se nos bairros T3 e Matola-Gare. Deste para Nwamatibjana percorre-se mais de cinco quilómetros.

Manuel Ernesto é chefe de um dos quarteirões daquele bairro e assumiu que há impunidade. Malfeitores empunhando catanas e armas de fogo semeiam pânico na zona sem que ninguém os impeça.

Por sua vez, a Polícia na província de Maputo admitiu que tem conhecimento da situação e comprometeu-se a aplicar-se mais para devolver a segurança ao bairro.

Fernando Manhiça, porta-voz do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) disse ao “O País” que a corporação privilegia a colaboração polícia/comunidade, sobretudo nos novos bairros, para conter desmando protagonizados por malfeitores.

O País