Depois de aterrorizar as populações do norte de Cabo Delgado, onde algumas aldeias dos distritos de Palma e Mocímboa da Praia estão completamente abandonadas, os insurgentes viraram as atenções para a zona centro da província, onde nos últimos tempos ocorrem ataques armados diários e em plena luz do dia.

Alem de intensificar os ataques em Macomia, onde são frequentes assaltos a viaturas de passageiros que viajam ao Posto Administrativo de Mucojo, este mês, o grupo armado, avançou ao distrito de Meluco, e tem estado a circular na estrada N380, a principal via de acesso que liga a zona norte de Cabo Delgado.

Testemunhas confirmaram ao País, o registo de 4 ataques, em apenas uma semana, sendo três em Macomia, onde nos dias 20, 21 e 23 de Março, respectivamente, atacaram uma viatura de passageiros e uma aldeia em Mucojo, e um assalto aldeia Bangala 2, localizada na estrada que liga Pemba a Macomia.

Um dia depois, concretamente no último domingo, segundo contaram as fontes, ainda ao longo da estrada N380, os insurgentes atacaram a aldeia Iba, no distrito de Meluco, e assassinaram dois civis, um homem e uma mulher, e depois seguiram em direção a Cajembe, no vizinho distrito de Quissanga.

Apesar da forte presença militar em Macomia, a população de algumas aldeias da zona centro da província, sobretudo homens, não dormem durante a noite, altura em que abandonam suas casas com a família e juntam se aos vizinhos num único local até ao nascer do sol, com lanças e flechas na mão, supostamente para resistir em grupo a acção dos insurgentes.

Os ataques armados em Cabo Delgado iniciaram em Outubro de 2017, e já fizeram milhares de deslocados que abandonaram casas, bens e machambas para fixar se nas vilas e cidades, por serem consideradas relativamente seguras.

O País