O último caso ocorreu na sexta-feira passada (02), quando, segundo a polícia, três traficantes tentaram vender um menor de 17 anos por mais de 36 mil euros na Vila do Mulumbo, a norte da província da Zambézia, junto ao Malawi.

Mas uma pessoa, que se fez passar por comprador, informou logo as autoridades, conta o porta-voz da polícia na Zambézia, Sidner Lonzo.

“Os três indivíduos pretendiam vender este menor a um valor de 30 milhões de kuachas, equivalentes a 2.550.000 meticais. Os três indivíduos estão agora detidos e o processo corre os seus trâmites legais. O menor já foi devolvido ao seu convívio familiar. Gostaríamos de apelar à população em geral para ser sempre atenta quanto a esses actos de tráfico de seres humanos”.

Segundo caso em duas semanas

Este é o segundo caso no espaço de duas semanas. O outro ocorreu no distrito de Namacura. A polícia diz ter interceptado um autocarro em que seguiam 22 homens e dois rapazes moçambicanos; iam acompanhados de cidadãos de nacionalidade congolesa.

“Segundo as declarações em nossa posse, eles iriam ser usados para os trabalhos da agricultura na Republica Democrática de Congo, e havia dois menores de 16 anos de idade”.

A polícia diz estar preocupada com o tráfico de pessoas. Segundo o porta-voz Sidner Lonzo, foi reforçada a segurança na fronteira. Além disso, as autoridades têm estado em contacto com os líderes comunitários, para sensibilizar a população.

Mas Gabriela Gaspar, uma ativista comunitária, diz que é preciso fazer mais.

“Quando é que isso vai acabar? Nós, como mães, sentimos muito. Temos filhos que são raptados. Pedimos ajuda ao Governo para que faça um trabalho que possa acabar com isso”.

Falta de informação e alta taxa de desemprego

Maria Isabel, ativista dos direitos humanos, diz que o tráfico de pessoas na província da Zambézia está relacionado com a falta de informação das famílias e com a alta taxa de desemprego. 13% dos jovens da província não tem emprego, segundo dados recentes da direcção provincial de trabalho da Zambézia. Pensa-se, no entanto, que os números sejam muito mais altos do que os divulgados pelas autoridades. As famílias passam por muitas dificuldades.

“Há muito desemprego. Aqui na Zambézia, as fábricas que existiam, nenhuma delas está a funcionar. O governo tem que ver isso. Há muitos jovens desempregados, sonham tanto e o sonho vai abaixo, por causa dessa problemática, a pessoa é convencida facilmente porque não tem como se sustentar, e também é preciso formar as famílias – a maioria não tem conhecimento do que é tráfico de seres humanos, temos que ter em conta que a família é o garante da sociedade”.

O tráfico de pessoas é um crime frequente na província da Zambézia. Maria Isabel pede ao Governo que aja rapidamente. Não só para apanhar os traficantes e levá-los à Justiça, mas também para fazer reformas profundas, que melhorem a vida da população.

DW